Google: perguntas e respostas

November 12th, 2008

Deparei-me com essa excelente seleção de perguntas e respostas sobre a Google (texto em inglês).

As perguntas referem-se apenas a indexação e rankeamento, e foram feitas em um live chat ocorrido em outubro de 2008. As respostas foram dadas por diversos membros do Search Quality Assurance da Google, incluindo estrelas como Matt Cutts e John Mu.

É bem verdade que o staff da Google não tem por prioridade satisfazer a curiosidade dos SEOs. Mas é verdade também que há muitas dúvidas e mitos circulando na internet, que a Google pode muito bem esclarecer sem com isso dar instrumentos a spammers.

Isso quer dizer que o texto deve ser lido e interpretado com cuidado, mas é possivelmente um dos mais esclarecedores textos sobre o algoritmo da Google.

O texto é longo, não tenho tempo para traduzi-lo.

Segue abaixo apenas uma amostra das perguntas feitas e respondidas:

  • Qual o peso que a idade de um site e o tempo de registro de um domínio têm no seu posicionamento?
  • A Google recentemente removeu a sugestão “submeta seu site a diretórios importantes como dmoz e Yahoo!” das guidelines. Isso quer dizer que esses links serão descontados no futuro?
  • O uso de sub-domínios pode ajudar/atrapalhar rankings?
  • Links de outros sites da mesma companhia (ou mesmo webmaster) ajudam ou atrapalham rankings?
  • Se meu site tiver um número enorme de páginas, devo incluir todas elas no xml sitemap?
  • Um link de .edu e .gov vale mais do que os outros links?
  • Qual o peso de links de social bookmarks e blogs?
  • Vocês não acham que um webmaster deve ser informado quando da aplicação de uma penalidade manual? E nesses casos, os pedidos de reinclusão não deveriam ser examinados com mais cuidado?
  • O uso demasiado de “nofollow” causa alguma penalidade?
  • A velocidade de carregamento da página influencia no ranking?
  • Existe alguma metatag que possamos utilizar para indicar à Google qual país desejamos atingir?
  • Quanto tempo demora para Google tomar providências quando informamos um caso de compra e venda de links?
  • Como a Google trata sub-domínios? O que é melhor: subdominio.dominio.com ou dominio.com/subdominio ?
  • Como posso saber se não serei penalizado por linkar para um site de que a Google não goste?
  • Existe alguma vantagem em usar IPs dedicados? Há alguma desvantagem em usar IPs compartilhados?
  • Por que alguns sites são penalizados por utilizar conteúdo duplicado e outros grandes sites como Yahoo! postam conteúdo duplicado e não são penalizados?
  • Se eu altero uma URL para otimizá-la, e utilizo um redirect 301 para a nova URL, ela receberá todo o benefício dos links da velha URL?
  • O que é melhor para nomear URLs: hifens ou underscores?
  • Um blog que recebe muitos comentários melhora sua posição nos rankings?
  • A utilização de web standards melhora o ranking do site?

Algo que se nota nas respostas é a ênfase em incentivar os webmasters em criar conteúdo de qualidade e manter os usuários satisfeitos (”P: Aumentar a velocidade do servidor melhora o ranking do site? R: Melhorar o servidor faz com que a página seja apresentada mais rápida, e portanto torna o usuário mais satisfeito, e isso pode melhorar o rankign”).

Isso pode ser apenas retórica, mas eu acredito que de fato a Google tem meios para avaliar o grau de satisfação do usuário. E onde esses meios não existem ou são imperfeitos, a Google está trabalhando para criá-los ou melhorá-los. E isso porque o objetivo da Google (e todas as outras SEs) é apresentar aos seus usuários os sites que melhor atendam suas expectativa.

SEO é trabalho para o longo prazo

October 10th, 2008

Existe mais de uma maneira de se ganhar dinheiro na internet.

Uma maneira: criar um blog, sem nenhum tópico definido, trocar links (”fazer parcerias”) a esmo, escrever todos os dias sobre um tópico que esteja em evidência (os chamados hypes), torcer para que a Google envie tráfego que clique nos anúncios e gere cliques do Adsense (e, claro, torcer para que os anunciantes continuem pagando para aparecer em um site que provavelmente não lhes traz lucro).

Outra maneira é trabalhar pensando no longo prazo, criando desde logo um site que seja útil para os visitantes e lucrativo para os anunciantes.

O gráfico abaixo mostra o crescimento do tráfego em um dos meus sites, no período que vai de 1 de dezembro de 2005 até 10 de outubro de 2008 (ou seja, quase três anos).

seo-longo-prazo.jpg

Nota-se que o tráfego cresce de forma gradual e constante (algo parecido com o que se passa com esse outro site).

O crescimento do tráfego acompanhou a subida do site nos rankings de todas as Search Engines; o método empregado está descrito nesse post sobre como chegar ao topo da Google (basicamente: conteúdo + links + tempo). Atualmente, a homepage do site está na primeira página da Google, Yahoo e msn para a palavra-chave desejada; na Google, a competição, atualmente, é contra outras 32.000.000 de páginas.

A palavra-chave (o tema do site) foi escolhido de forma que a página nunca deixe de ser visitada (uma página sobre “mulher melancia” terá tráfego efêmero; uma página sobre “ortodontia” nunca deixará de ter tráfego). O site gera receitas a partir de afiliados, adsense e anúncios diretos; e com o passar do tempo, mais e mais empresas do setor procuram divulgar seus sites na internet.

O site é o melhor no seu nicho (graças ao conteúdo, que melhor atende às necessidades dos visitantes - o site em questão tem umas 300 páginas) e o que mais tem links relevantes (consequência do conteúdo relevante e, obviamente, do trabalho de SEO); os visitantes gostam do site, tomam-no como referência, clicam nos anúncios e, com mais probabilidades do que no caso dos blogs aleatórios, geram lucro para os anunciantes; o site praticamente não requer manutenção (adiciono uma ou duas páginas por mês), o que me permite identificar outros nichos e começar a trabalhar em outros sites (que atingirão a maturidade em alguns anos).

Um site como esse, resultado do trabalho de SEO de longo prazo, é uma máquina de fazer dinheiro.

As punições da Google não são todas iguais

October 1st, 2008

Um dos meus sites foi punido pela Google.

Trata-se de um blog que utiliza wordpress e que foi hackeado (o que me fez repensar sobre as vantagens de se escrever as páginas em html, em vez de depender de bancos de dados). O invasor aproveitou-se de uma das vulnerabilidades do WP e conseguiu infiltrar SQL injections; com essa técnica, as páginas geradas pelo WP passam a conter elementos espúrios, introduzidos pelo invasor.

E o invasor fez mais ainda: conseguiu implementar um cloaking no WP; com isso, o WP servia uma página para um visitante comum, e uma página diferente - que continha links para sites de interesse do invasor - para o Googlebot. Resultado: páginas do meu site passavam PageRank e TrustRank para os sites do invasor, enquanto usuários comuns (inclusive eu mesmo) não conseguiam enxergar os links espúrios, mesmo examinando o código fonte. Parece ter sido exatamente o mesmo caso desse site, comentado pelo Marketing de Busca.

O interessante, no caso, foi a maneira como a Google lidou com o caso. Em geral, a Google se mantém silenciosa quanto à aplicação das punições; muitos webmasters ficam confusos quando vêem uma súbita queda no tráfego, sem saber se houve punição, quais as causas, quais os remédios.

No caso do meu site em questão, o tráfego teve o comportamento abaixo (estatísticas medidas por statcounter.com, que tem a grande vantagem de mostrar as keywords em tempo real):

punicao-google.jpg

Como se vê, desde o início do ano, seguindo essa receita do sucesso na Google, o site vinha tendo um crescimento gradual e constante (o crescimento mais rápido no final de março possivelmente deveu-se a algum link temporário de alta qualidade). No final de maio, houve uma súbita queda (as visitas da Google praticamente zeraram; o tráfego veio de outros sites e máquinas de busca).

No início de julho, recebo uma mensagem da Google! Na mensagem, o editor da Google informa que meu site provavelmente foi invadido, acusou o cloaking, sugeriu remédios, e informou que seria aplicada uma penalidade, com duração mínima de trinta dias; informou ainda que ao final dos trinta dias, caso eu tivesse eliminado os problemas, eu deveria solicitar reinclusão no índice.

Corrigi (ou melhor, pensei ter corrigido) os problemas, mas o site foi novamente hackeado alguns dias depois. Em 20 de julho, o tráfego da Google novamente desabou. Corrigi novamente os problemas, dessa vez com mais cuidado. Solicitei reinclusão. Em 19 de agosto, exatamente 30 dias após o início da punição, o tráfego retornou.

CONCLUSÕES: as penalidades da Google não são todas iguais. A Google parece ser mais condescendente com alguns sites e mais rigorosa com outros. No caso em questão, trata-se de um site de alta qualidade, que foi claramente invadido por terceiros; a Google viu-se na obrigação de aplicar uma punição, mas fez um esforço para ver o site retornar ao índice.

SEO negativo (anti-SEO)

June 17th, 2008

Em mercados de SEO mais maduros que o brasileiro, existe a idéia de SEO negativo (ou anti-SEO).

A idéia é, em vez de fazer determinado site subir para uma dada palavra (SEO positivo), buscar meios de diminuir a visibilidade de um concorrente.

Como se pode diminuir a visibilidade do concorrente (e, indiretamente, ganhar visibilidade para si próprio)?

1) Há controvérsias a respeito da possibilidade de alguém diminuir rankings de um concorrente por meio de links. Ou seja, há alguma maneira de se criar um esquema de links apontando para o site A que faça com que o site A desça nos rankings?

Essa técnica é conhecida como google bowling (boliche Google); diversos sites já afirmaram que sofreram efeitos do google bowling (ver discussões aqui e aqui; o pessoal do seochat conduziu um experimento controlado sobre bowling, mas não chegou a conclusão nenhuma).

Essa técnica ganhou alguma força depois que a Google alterou suas recomendações (webmaster guidelines) de : “não há nada que um competidor possa fazer para prejudicar seus rankings” para “não há quase nada que um competidor possa fazer para prejudicar seus rankings”.

2) Outra técnica é ocupar todos os espaços disponíveis na primeira página, de modo que a concorrência não tenha visibilidade (já que poucos usuários vão além da primeira página); por exemplo, não é difícil perceber que a pesquisa por Boston real estate (imóveis em Boston) retorna diversos sites que são controlados por um mesmo grupo ou pessoa.

Essa técnica é particularmente aplicável em alguns nichos em que a primeira página tem lugar cativo para alguns sites. Por exemplo, uma pesquisa para qualquer nome de país trará na primeira página a wikipedia, lonelyplanet, infoplease, o site oficial do país, etc (sem mencionar que a Google coloca várias de suas próprias páginas no topo); assim, colocando o seu site na primeira página, reduz-se o espaço para concorrentes.

3) Uma outra forma de SEO negativo é ressaltar as más qualidades do concorrente. Os usuários chegarão à página do concorrente, mas tomarão conhecimento de coisas ruins sobre ele.

Caso interessante é esse do Rancho da Traíra. Um (ex-)comensal visita o restaurante e escreve, em 26/05/08, suas (más) impressões sobre ele em seu blog; o blog é novo, PR cinza, o post teria impacto quase nulo. Em 12/06/08, o advogado do restaurante escreve uma resposta ao blog (a primeira resposta ao post), menciona leis, indenizações, etc. e exige a remoção do logo do restaurante. Em poucos dias, blogs revoltados com o comportamento do restaurante linkam para o post, e este sobe para a primeira página para a busca [rancho da traíra] (hoje, 17/06/08, o post é #3); todos os que procurarem uma opinião na google sobre o restaurante tomarão conhecimento do ocorrido. Perfeito exemplo de SEO negativo (no caso, involuntário); os concorrentes do Rancho da Traíra devem agradecer àquele advogado.

O valor de um link no Yahoo

June 7th, 2008

Quer subir na Google? Você precisa conseguir links (eles são necessários, tanto mais quanto mais competitiva for a palavra-chave de seu interesse), mas não qualquer link. A Google precisa acreditar que o link foi criado porque o autor do link acreditava na relevância da página que foi linkada (o autor do link tem que ter TrustRank). E hoje, reconhecer quais sites/páginas/links carregam TR é um dos trabalhos mais importantes de um SEO.

A Google, obviamente, não vai informar qual o TR de determinada página (já que o objetivo dela é justamente confundir os SEOs). Matt Cutts tem sido, compreensivelmente (já que ele é o líder do esquadrão anti-SEOs da Google), sempre evasivo quanto a dizer as causas de subidas e descidas de qualquer site/página nos rankings. E é mais evasivo ainda quando se trata de diretórios.

Nesse thread do webmaster, discutia-se o fato de que algumas páginas do Diretório Yahoo apresentavam PR cinza. Matt Cutts interveio para afirmar:

Looks like there’s a PR8 on dir.yahoo.com on all data centers, so I wouldn’t jump to conclusions. It’s possible that Yahoo changed their linking somehow, or that there was an issue on our side with how we canonicalized a url, but I do know that the Yahoo Directory has PageRank in our internal system, so I’ll ask folks here about it. Thanks for mentioning this.

E, mais adiante, nova mensagem:

It looks like it’s just a matter of canonicalizing upper vs. lowercase as to why some of the subdirectories look the way they do in the toolbar. I just wanted to reiterate that the Yahoo Directory has plenty of PageRank in our internal systems.

Não vejo como ele poderia ser mais claro: o PR que é visível nas páginas do Yahoo é irrelevante; o Yahoo tem um peso significante (alto TR) no algoritmo da Google.

E, se é assim com o Yahoo, é provável que seja assim com outros sites/domínios/páginas.

Google tornando-se mais transparente ?

May 23rd, 2008

O blog oficial da Google publicou uma entrevista com Udi Manber, um dos Vice-Presidentes da empresa, que cuida do setor da Qualidade das Buscas.

Udi reconhece que a Google tem sido bastante fechada no que diz respeito ao algoritmo de busca. “Fazemos isso por dois motivos: concorrência e abuso. Não queremos que nossos concorrentes conheçam nossos segredos. E se nossos algoritmos fossem mais facilmente acessíveis, ficaria fácil para as pessoas burlarem o sistema”.

Mas o interessante vem alguns parágrafos a seguir: “Mas ser completamente fechado não é o ideal, e esse post é um renovado esforço para nos tornarmos um pouco mais abertos que no passado. Procuraremos periodicamente explicar coisas novas, explicar coisas antigas, dar conselhos, divulgar notícias participar de conversações. Vou começar explicando genericamente como nosso grupo trabalha. Mais posts virão.”

Udi explica os diversos grupos que trabalham em conjunto para garantir Qualidade das Buscas; entre os grupos, há o de engenharia, o de lingüística/semântica, o de modelos temporais (”algumas pesquisas são melhor respondidas com páginas geradas há 30 minutas, outras são melhor respondidas com páginas que passaram no teste dos tempos”), o de modelos personalizados.

PageRank é ainda utilizado, mas é parte de um universo maior.

Em 2007, foram feitas 450 melhorias no algoritmo.

Em janeiro de 2008, foram feitas “significativas mudanças” no algoritmo de PageRank.

Vamos ver o que significa “tornar-se mais transparente”. Evidentemente, a Google não vai revelar nenhuma informação crucial; como o próprio Udi Manber mencionou na entrevista, o que ele pretende é diminuir a “segurança por ignorância” (security by obscurity).

De qualquer forma, o caminho para o sucesso na Google continuará o mesmo: para estar no topo da Google, é necessário ser o melhor site sobre aquele tópico.

Estudo de caso: Natal - parte 2

December 29th, 2007

Esse post é continuação desse estudo de caso.

Hoje é 29 de dezembro. A primeira página da google para [natal] (clique na imagem para ampliar) está assim:

natal-29-dez-2007.jpg

1. pt.wikipedia.org/wiki/Natal
2.www.natal.com.br/
3.www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
4. www.natal.rn.gov.br/
5. www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm
6. www.natal-brazil.com/portugues/
7. www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html
8. www.chamada.com.br/mensagens/list/2
9. www.suapesquisa.com/historiadonatal.htm
10. natal.com.pt/

No pé da página, as Notícias sobre Natal.

Vale a pena ver também a segunda página:

11. www2.buscape.com.br/natal.html
12. veja.abril.com.br/melhor_da_cidade/natal/index.shtml
13. www.diariodenatal.com.br/
14. www.nataltrip.com/
15. www.visitnatalbrazil.com/
16. natguia.com.br/
17. www.feriasemnatal.com.br/
18. www.natalguia.com.br/
19. www.mensagensvirtuais.com.br/natal/
20. pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)

Isso mostra que sete dos dez resultados da primeira página referem-se à festa de Natal, e apenas três referem-se à cidade de Natal; os sites sobre a cidade de Natal que estavam na primeira página foram deslocados para a segunda página (e ainda têm que brigar com duas páginas sobre a festividade). Em 20 de novembro, as páginas sobre as festas de Natal ocupavam apenas dois links na primeira página, e em 8 de dezembro ocupavam três links.

Conclusão: as páginas sobre as festas de Natal subiram nos rankings porque são as que, nessa época do ano, mais satisfazem as buscas dos usuários (para confirmar essa hipótese, pode-se conferir os rankings em meados do ano, quando todos buscam pela cidade de Natal, e poucos buscam pelas festas). Isso ajuda a confirmar a idéia desse post sobre como subir na Google: as mudanças não foram nem pelo aumento no número de links, nem pela idade dos sites; foram, sim, pelo aumento da relevância das páginas para determinadas buscas.

A Google monitorando cliques

December 16th, 2007

Um fato há muito conhecido lá fora, mas ainda pouco conhecido no Brasil: a Google, de tempos em tempos, monitora os cliques em suas páginas de resultados.

A figura abaixo (clique para ampliar) mostra uma pesquisa por [policia rodoviaria federal]; como era de se esperar, o site da Polícia Rodoviária Federal está no topo (perde apenas para as Notícias da Google, o que também não é surpresa).

google-traking-serps.jpg

Mas dê uma olhada na barra de status, no pé da página. Clicando com o botão direito no link para a PRF (é necessário clicar com o botão direito; ao se passar o mouse sobre o link sem clicar, a Google utiliza javascript para ‘camuflar’ a URL de destino), a barra de status mostra a URL de destino; e, em vez de ir diretamente para o site da PRF (www.dprf.gov.br), o link primeiro passa por um script da própria Google, e daí é redirecionado para o destino final; isso se repete para todos os links nessa pesquisa; e, repetindo a pesquisa em outro momento, os scripts desaparecem.

O que a Google está fazendo? Ela está monitorando a taxa de cliques na primeira posição, segunda, etc, para uma dada pesquisa.

Por que ela faz isso? Para ver onde os usuários clicam e daí avaliar a qualidade da página de resultados. Se, por exemplo, os usuários ignoram o resultado em #1, e clicam massivamente no resultado no #10, é evidente que alguma coisa está estranha com os resultados.

Quando ela faz isso? Por exemplo, quando ela faz algum ajuste no algoritmo que ela considere significativo, e quer verificar como os usuários reagem a ele. Isso explica também por que a Google não precisa fazer isso permanentemente: deixando o script ativado por alguns minutos, a amostra de usuários é tão grande que já permite conclusões estatisticamente significantes.

Isso pode influenciar o posicionamento de um site no futuro? Em outras palavras, vale a pena ficar clicando repetidamente no link do meu próprio site, na tentativa de fazê-lo subir nos rankings? Ninguém (a não ser alguns engenheiros da Google) sabem com certeza; mas eu acho que não.

Estudo de caso: Natal

November 20th, 2007

Um dos fatores de ranking que ainda é negligenciado por muitos SEOs é a maneira como os usuários interagem com um site ou página.

Se a Search Engine consegue detectar que uma página agrada aos visitantes, por que não dar uma pontuação extra à página? Aliás, a questão não é se a Search Engine daria essa pontuação; isso é certo (a Search Engine que não valorizar a preferência de seus usuários está fadada ao fracasso). A questão é se, e em que medida, a Search Engine consegue detectar e medir o quanto os usuários gostam de determinada página (esse último estudo de caso foi, para mim, uma evidência de que a Google detecta e premia as boas páginas).

O Natal é uma excelente época para se tentar avaliar a validade dessa hipótese. A palavra Natal tem em português diversos significados: período de festas, capital do RN, nascimento de crianças, etc. No período natalino, os usuários responderão diferentemente a buscas por [natal]; sites que falam sobre festas de Natal, que durante o restante do ano são pouco procurados, vão agora ganhar mais tráfego, os visitantes ficarão mais tempo, clicarão em mais links, etc.

Esse experimento vai acompanhar o que acontecerá na Google.com.br e no cade.com.br para buscas por [natal].

Em 20 de novembro, as primeiras 10 páginas em google.com.br são:
www.natal.com.br/
www.natal.rn.gov.br/
www.natal-brazil.com/portugues/
Resultados de notícias sobre natal (news.google.com.br)
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.nataltrip.com/
natguia.com.br/
www.feriasemnatal.com.br/
www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
www.diariodenatal.com.br/
Resultado das imagens para natal

Duas páginas que não estão na primeira página mas que eu acho interessantes acompanhar são
www.acidigital.com/fiestas/navidad/ (#13) e www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm (#18)

No cade.com.br, as 10 primeiras páginas para [natal] são:
www.natal.rn.gov.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.com.br
www.natal-rn.tur.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)
www.natal.rn.gov.br/sectur
www.natalguia.com.br
www.natal-brazil.com/portugues
www.natal-brazil.com
www.chamada.com.br/mensagens/list/2

A página www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html está em #19; www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm está em #23; www.presentedenatal.com.br/historia_natal.htm está em #30.

Vou tentar acompanhar o que acontecerá a esses rankings entre hoje e até o Natal, e nas semanas após o Natal. Se minha suposições estiverem corretas, as páginas referentes à festa de Natal ganharão rankings nas próximas semanas.

Atualização, 8 de dezembro de 2007.

Uma pesquisa para [natal] na google.com.br traz os sites na seguinte ordem:
www.natal.com.br/natal-8-dez-2007.jpg
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.rn.gov.br/
www.natal-brazil.com/portugues/
www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
www.nataltrip.com/
www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html
natguia.com.br/
www.feriasemnatal.com.br/
Resultados de notícias sobre natal
A página www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm subiu para #11, e a página www.chamada.com.br/mensagens/list/2 subiu para #17

É evidente que cujas temas são Natal, a festa natalina, subiram muitas posições no ranking (mesmo a página da wiki sobre Natal trata da festa, e não da cidade).

Vejamos as mudanças no cadê. Hoje, 8 de dezembro, as primeiras posições para Natal são:
www.natal.rn.gov.brnatal-cade-8-dez-2007.jpg
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.rn.gov.br/sectur
www.natal.com.br
www.natal-rn.tur.br
www.natalguia.com.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)
pt.wikiquote.org/wiki/Natal
www.natal-brazil.com/portugues
natal.cbtu.gov.br

Outras páginas de interesse: www.chamada.com.br/mensagens/list/2 subiu para #14, www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm está em #28, www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html está em #32. Importante: parece que o Yahoo fez um update em 1 de dezembro.

Que conclusões se tiram: uma conclusão secundária é que o Yahoo ainda faz updates drásticos, que alteram radicalmente a ordem dos rankings; na Google, as atualizações são incrementais, sem mudanças abruptas. Outra conclusão sobre o Yahoo é que ele não leva (não muito, ao menos) em conta o comportamento dos usuários para criar rankings.

Mas a conclusão mais importante é que, sem dúvida, a Google dá mais importância às páginas que mais atendem às demandas dos usuários. As páginas sobre a festa Natal estão subindo porque, nessa época, são essas páginas que os usuários procuram mais; são nessas páginas que os usuários passam mais tempo, são os links dessas páginas que eles seguem, são a essas páginas que elas retornam mais, são essas páginas que elas repassam para amigos.

Vou ver se consigo tirar outro “retrato” às vésperas do Natal. Atualização: ver continuação desse post: Estudo de caso: Natal - parte 2.

Estudo de caso: Senado Federal

November 20th, 2007

Hoje, 20 de novembro, a homepage do Senado voltou a #1 na Google para [vergonha nacional].

senado-federal-20-nov.gif

Recapitulando:

  • em meados de setembro, diversos blogs linkaram de suas respectivas homepages para a homepage do Senado, utilizando a âncora [vergonha nacional]; a homepage do Senado não apenas vai para #1, mas ganha sitelinks.
  • em meados de outubro, a homepage do Senado havia caído para #15 na Google; algumas semanas após, ela havia subido para #11, indicando que estava em ascensão;
  • hoje, meados de novembro, a página já retornou a #1 na Google (no cade.com.br, hoje ela ainda está em #1, mas não acompanhei o que aconteceu nesse período).

Que conclusões se tiram?

Minha hipótese: o grande número de links levou a homepage do Senado a #1; os sitelinks surgiram porque o site do Senado é muito visitado, e a Google pôde fazer um estudo estatístico das páginas mais visitadas, as quais foram incluídas nos sitelinks.

Após algumas semanas, a homepage do Senado começou a cair nos rankings porque os posts começaram a, primeiro, ter menos cliques (pois não eram mais novidades) e, depois, passaram a ir para páginas menos relevantes dos blogs (à medida que os blogueiros adicionavam posts).

E por que, então, a homepage do Senado retornou a #1? Porque os posts, e respectivos links, ganharam TrustRank. O algoritmo aguarda algum tempo para avaliar a confiabilidade do post e do link (na verdade, quando falamos de SEO, tempo é fator importante para todos os elementos); à medida que o tempo passa, os posts e links ganham confiança da Google, seu poder de voto aumenta, e a página linkada (no caso, a homepage do Senado) sobe nos rankings.