SEO negativo (anti-SEO)

June 17th, 2008

Em mercados de SEO mais maduros que o brasileiro, existe a idéia de SEO negativo (ou anti-SEO).

A idéia é, em vez de fazer determinado site subir para uma dada palavra (SEO positivo), buscar meios de diminuir a visibilidade de um concorrente.

Como se pode diminuir a visibilidade do concorrente (e, indiretamente, ganhar visibilidade para si próprio)?

1) Há controvérsias a respeito da possibilidade de alguém diminuir rankings de um concorrente por meio de links. Ou seja, há alguma maneira de se criar um esquema de links apontando para o site A que faça com que o site A desça nos rankings?

Essa técnica é conhecida como google bowling (boliche Google); diversos sites já afirmaram que sofreram efeitos do google bowling (ver discussões aqui e aqui; o pessoal do seochat conduziu um experimento controlado sobre bowling, mas não chegou a conclusão nenhuma).

Essa técnica ganhou alguma força depois que a Google alterou suas recomendações (webmaster guidelines) de : “não há nada que um competidor possa fazer para prejudicar seus rankings” para “não há quase nada que um competidor possa fazer para prejudicar seus rankings”.

2) Outra técnica é ocupar todos os espaços disponíveis na primeira página, de modo que a concorrência não tenha visibilidade (já que poucos usuários vão além da primeira página); por exemplo, não é difícil perceber que a pesquisa por Boston real estate (imóveis em Boston) retorna diversos sites que são controlados por um mesmo grupo ou pessoa.

Essa técnica é particularmente aplicável em alguns nichos em que a primeira página tem lugar cativo para alguns sites. Por exemplo, uma pesquisa para qualquer nome de país trará na primeira página a wikipedia, lonelyplanet, infoplease, o site oficial do país, etc (sem mencionar que a Google coloca várias de suas próprias páginas no topo); assim, colocando o seu site na primeira página, reduz-se o espaço para concorrentes.

3) Uma outra forma de SEO negativo é ressaltar as más qualidades do concorrente. Os usuários chegarão à página do concorrente, mas tomarão conhecimento de coisas ruins sobre ele.

Caso interessante é esse do Rancho da Traíra. Um (ex-)comensal visita o restaurante e escreve, em 26/05/08, suas (más) impressões sobre ele em seu blog; o blog é novo, PR cinza, o post teria impacto quase nulo. Em 12/06/08, o advogado do restaurante escreve uma resposta ao blog (a primeira resposta ao post), menciona leis, indenizações, etc. e exige a remoção do logo do restaurante. Em poucos dias, blogs revoltados com o comportamento do restaurante linkam para o post, e este sobe para a primeira página para a busca [rancho da traíra] (hoje, 17/06/08, o post é #3); todos os que procurarem uma opinião na google sobre o restaurante tomarão conhecimento do ocorrido. Perfeito exemplo de SEO negativo (no caso, involuntário); os concorrentes do Rancho da Traíra devem agradecer àquele advogado.

O valor de um link no Yahoo

June 7th, 2008

Quer subir na Google? Você precisa conseguir links (eles são necessários, tanto mais quanto mais competitiva for a palavra-chave de seu interesse), mas não qualquer link. A Google precisa acreditar que o link foi criado porque o autor do link acreditava na relevância da página que foi linkada (o autor do link tem que ter TrustRank). E hoje, reconhecer quais sites/páginas/links carregam TR é um dos trabalhos mais importantes de um SEO.

A Google, obviamente, não vai informar qual o TR de determinada página (já que o objetivo dela é justamente confundir os SEOs). Matt Cutts tem sido, compreensivelmente (já que ele é o líder do esquadrão anti-SEOs da Google), sempre evasivo quanto a dizer as causas de subidas e descidas de qualquer site/página nos rankings. E é mais evasivo ainda quando se trata de diretórios.

Nesse thread do webmaster, discutia-se o fato de que algumas páginas do Diretório Yahoo apresentavam PR cinza. Matt Cutts interveio para afirmar:

Looks like there’s a PR8 on dir.yahoo.com on all data centers, so I wouldn’t jump to conclusions. It’s possible that Yahoo changed their linking somehow, or that there was an issue on our side with how we canonicalized a url, but I do know that the Yahoo Directory has PageRank in our internal system, so I’ll ask folks here about it. Thanks for mentioning this.

E, mais adiante, nova mensagem:

It looks like it’s just a matter of canonicalizing upper vs. lowercase as to why some of the subdirectories look the way they do in the toolbar. I just wanted to reiterate that the Yahoo Directory has plenty of PageRank in our internal systems.

Não vejo como ele poderia ser mais claro: o PR que é visível nas páginas do Yahoo é irrelevante; o Yahoo tem um peso significante (alto TR) no algoritmo da Google.

E, se é assim com o Yahoo, é provável que seja assim com outros sites/domínios/páginas.

Google tornando-se mais transparente ?

May 23rd, 2008

O blog oficial da Google publicou uma entrevista com Udi Manber, um dos Vice-Presidentes da empresa, que cuida do setor da Qualidade das Buscas.

Udi reconhece que a Google tem sido bastante fechada no que diz respeito ao algoritmo de busca. “Fazemos isso por dois motivos: concorrência e abuso. Não queremos que nossos concorrentes conheçam nossos segredos. E se nossos algoritmos fossem mais facilmente acessíveis, ficaria fácil para as pessoas burlarem o sistema”.

Mas o interessante vem alguns parágrafos a seguir: “Mas ser completamente fechado não é o ideal, e esse post é um renovado esforço para nos tornarmos um pouco mais abertos que no passado. Procuraremos periodicamente explicar coisas novas, explicar coisas antigas, dar conselhos, divulgar notícias participar de conversações. Vou começar explicando genericamente como nosso grupo trabalha. Mais posts virão.”

Udi explica os diversos grupos que trabalham em conjunto para garantir Qualidade das Buscas; entre os grupos, há o de engenharia, o de lingüística/semântica, o de modelos temporais (”algumas pesquisas são melhor respondidas com páginas geradas há 30 minutas, outras são melhor respondidas com páginas que passaram no teste dos tempos”), o de modelos personalizados.

PageRank é ainda utilizado, mas é parte de um universo maior.

Em 2007, foram feitas 450 melhorias no algoritmo.

Em janeiro de 2008, foram feitas “significativas mudanças” no algoritmo de PageRank.

Vamos ver o que significa “tornar-se mais transparente”. Evidentemente, a Google não vai revelar nenhuma informação crucial; como o próprio Udi Manber mencionou na entrevista, o que ele pretende é diminuir a “segurança por ignorância” (security by obscurity).

De qualquer forma, o caminho para o sucesso na Google continuará o mesmo: para estar no topo da Google, é necessário ser o melhor site sobre aquele tópico.

Estudo de caso: Natal - parte 2

December 29th, 2007

Esse post é continuação desse estudo de caso.

Hoje é 29 de dezembro. A primeira página da google para [natal] (clique na imagem para ampliar) está assim:

natal-29-dez-2007.jpg

1. pt.wikipedia.org/wiki/Natal
2.www.natal.com.br/
3.www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
4. www.natal.rn.gov.br/
5. www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm
6. www.natal-brazil.com/portugues/
7. www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html
8. www.chamada.com.br/mensagens/list/2
9. www.suapesquisa.com/historiadonatal.htm
10. natal.com.pt/

No pé da página, as Notícias sobre Natal.

Vale a pena ver também a segunda página:

11. www2.buscape.com.br/natal.html
12. veja.abril.com.br/melhor_da_cidade/natal/index.shtml
13. www.diariodenatal.com.br/
14. www.nataltrip.com/
15. www.visitnatalbrazil.com/
16. natguia.com.br/
17. www.feriasemnatal.com.br/
18. www.natalguia.com.br/
19. www.mensagensvirtuais.com.br/natal/
20. pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)

Isso mostra que sete dos dez resultados da primeira página referem-se à festa de Natal, e apenas três referem-se à cidade de Natal; os sites sobre a cidade de Natal que estavam na primeira página foram deslocados para a segunda página (e ainda têm que brigar com duas páginas sobre a festividade). Em 20 de novembro, as páginas sobre as festas de Natal ocupavam apenas dois links na primeira página, e em 8 de dezembro ocupavam três links.

Conclusão: as páginas sobre as festas de Natal subiram nos rankings porque são as que, nessa época do ano, mais satisfazem as buscas dos usuários (para confirmar essa hipótese, pode-se conferir os rankings em meados do ano, quando todos buscam pela cidade de Natal, e poucos buscam pelas festas). Isso ajuda a confirmar a idéia desse post sobre como subir na Google: as mudanças não foram nem pelo aumento no número de links, nem pela idade dos sites; foram, sim, pelo aumento da relevância das páginas para determinadas buscas.

A Google monitorando cliques

December 16th, 2007

Um fato há muito conhecido lá fora, mas ainda pouco conhecido no Brasil: a Google, de tempos em tempos, monitora os cliques em suas páginas de resultados.

A figura abaixo (clique para ampliar) mostra uma pesquisa por [policia rodoviaria federal]; como era de se esperar, o site da Polícia Rodoviária Federal está no topo (perde apenas para as Notícias da Google, o que também não é surpresa).

google-traking-serps.jpg

Mas dê uma olhada na barra de status, no pé da página. Clicando com o botão direito no link para a PRF (é necessário clicar com o botão direito; ao se passar o mouse sobre o link sem clicar, a Google utiliza javascript para ‘camuflar’ a URL de destino), a barra de status mostra a URL de destino; e, em vez de ir diretamente para o site da PRF (www.dprf.gov.br), o link primeiro passa por um script da própria Google, e daí é redirecionado para o destino final; isso se repete para todos os links nessa pesquisa; e, repetindo a pesquisa em outro momento, os scripts desaparecem.

O que a Google está fazendo? Ela está monitorando a taxa de cliques na primeira posição, segunda, etc, para uma dada pesquisa.

Por que ela faz isso? Para ver onde os usuários clicam e daí avaliar a qualidade da página de resultados. Se, por exemplo, os usuários ignoram o resultado em #1, e clicam massivamente no resultado no #10, é evidente que alguma coisa está estranha com os resultados.

Quando ela faz isso? Por exemplo, quando ela faz algum ajuste no algoritmo que ela considere significativo, e quer verificar como os usuários reagem a ele. Isso explica também por que a Google não precisa fazer isso permanentemente: deixando o script ativado por alguns minutos, a amostra de usuários é tão grande que já permite conclusões estatisticamente significantes.

Isso pode influenciar o posicionamento de um site no futuro? Em outras palavras, vale a pena ficar clicando repetidamente no link do meu próprio site, na tentativa de fazê-lo subir nos rankings? Ninguém (a não ser alguns engenheiros da Google) sabem com certeza; mas eu acho que não.

Estudo de caso: Natal

November 20th, 2007

Um dos fatores de ranking que ainda é negligenciado por muitos SEOs é a maneira como os usuários interagem com um site ou página.

Se a Search Engine consegue detectar que uma página agrada aos visitantes, por que não dar uma pontuação extra à página? Aliás, a questão não é se a Search Engine daria essa pontuação; isso é certo (a Search Engine que não valorizar a preferência de seus usuários está fadada ao fracasso). A questão é se, e em que medida, a Search Engine consegue detectar e medir o quanto os usuários gostam de determinada página (esse último estudo de caso foi, para mim, uma evidência de que a Google detecta e premia as boas páginas).

O Natal é uma excelente época para se tentar avaliar a validade dessa hipótese. A palavra Natal tem em português diversos significados: período de festas, capital do RN, nascimento de crianças, etc. No período natalino, os usuários responderão diferentemente a buscas por [natal]; sites que falam sobre festas de Natal, que durante o restante do ano são pouco procurados, vão agora ganhar mais tráfego, os visitantes ficarão mais tempo, clicarão em mais links, etc.

Esse experimento vai acompanhar o que acontecerá na Google.com.br e no cade.com.br para buscas por [natal].

Em 20 de novembro, as primeiras 10 páginas em google.com.br são:
www.natal.com.br/
www.natal.rn.gov.br/
www.natal-brazil.com/portugues/
Resultados de notícias sobre natal (news.google.com.br)
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.nataltrip.com/
natguia.com.br/
www.feriasemnatal.com.br/
www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
www.diariodenatal.com.br/
Resultado das imagens para natal

Duas páginas que não estão na primeira página mas que eu acho interessantes acompanhar são
www.acidigital.com/fiestas/navidad/ (#13) e www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm (#18)

No cade.com.br, as 10 primeiras páginas para [natal] são:
www.natal.rn.gov.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.com.br
www.natal-rn.tur.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)
www.natal.rn.gov.br/sectur
www.natalguia.com.br
www.natal-brazil.com/portugues
www.natal-brazil.com
www.chamada.com.br/mensagens/list/2

A página www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html está em #19; www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm está em #23; www.presentedenatal.com.br/historia_natal.htm está em #30.

Vou tentar acompanhar o que acontecerá a esses rankings entre hoje e até o Natal, e nas semanas após o Natal. Se minha suposições estiverem corretas, as páginas referentes à festa de Natal ganharão rankings nas próximas semanas.

Atualização, 8 de dezembro de 2007.

Uma pesquisa para [natal] na google.com.br traz os sites na seguinte ordem:
www.natal.com.br/natal-8-dez-2007.jpg
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.rn.gov.br/
www.natal-brazil.com/portugues/
www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm
www.nataltrip.com/
www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html
natguia.com.br/
www.feriasemnatal.com.br/
Resultados de notícias sobre natal
A página www.laurapoesias.com/natal/mensagens_de_natal.htm subiu para #11, e a página www.chamada.com.br/mensagens/list/2 subiu para #17

É evidente que cujas temas são Natal, a festa natalina, subiram muitas posições no ranking (mesmo a página da wiki sobre Natal trata da festa, e não da cidade).

Vejamos as mudanças no cadê. Hoje, 8 de dezembro, as primeiras posições para Natal são:
www.natal.rn.gov.brnatal-cade-8-dez-2007.jpg
pt.wikipedia.org/wiki/Natal
www.natal.rn.gov.br/sectur
www.natal.com.br
www.natal-rn.tur.br
www.natalguia.com.br
pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)
pt.wikiquote.org/wiki/Natal
www.natal-brazil.com/portugues
natal.cbtu.gov.br

Outras páginas de interesse: www.chamada.com.br/mensagens/list/2 subiu para #14, www.arteducacao.pro.br/homenagem/Natal/natal.htm está em #28, www.acidigital.com/fiestas/navidad/index.html está em #32. Importante: parece que o Yahoo fez um update em 1 de dezembro.

Que conclusões se tiram: uma conclusão secundária é que o Yahoo ainda faz updates drásticos, que alteram radicalmente a ordem dos rankings; na Google, as atualizações são incrementais, sem mudanças abruptas. Outra conclusão sobre o Yahoo é que ele não leva (não muito, ao menos) em conta o comportamento dos usuários para criar rankings.

Mas a conclusão mais importante é que, sem dúvida, a Google dá mais importância às páginas que mais atendem às demandas dos usuários. As páginas sobre a festa Natal estão subindo porque, nessa época, são essas páginas que os usuários procuram mais; são nessas páginas que os usuários passam mais tempo, são os links dessas páginas que eles seguem, são a essas páginas que elas retornam mais, são essas páginas que elas repassam para amigos.

Vou ver se consigo tirar outro “retrato” às vésperas do Natal. Atualização: ver continuação desse post: Estudo de caso: Natal - parte 2.

Estudo de caso: Senado Federal

November 20th, 2007

Hoje, 20 de novembro, a homepage do Senado voltou a #1 na Google para [vergonha nacional].

senado-federal-20-nov.gif

Recapitulando:

  • em meados de setembro, diversos blogs linkaram de suas respectivas homepages para a homepage do Senado, utilizando a âncora [vergonha nacional]; a homepage do Senado não apenas vai para #1, mas ganha sitelinks.
  • em meados de outubro, a homepage do Senado havia caído para #15 na Google; algumas semanas após, ela havia subido para #11, indicando que estava em ascensão;
  • hoje, meados de novembro, a página já retornou a #1 na Google (no cade.com.br, hoje ela ainda está em #1, mas não acompanhei o que aconteceu nesse período).

Que conclusões se tiram?

Minha hipótese: o grande número de links levou a homepage do Senado a #1; os sitelinks surgiram porque o site do Senado é muito visitado, e a Google pôde fazer um estudo estatístico das páginas mais visitadas, as quais foram incluídas nos sitelinks.

Após algumas semanas, a homepage do Senado começou a cair nos rankings porque os posts começaram a, primeiro, ter menos cliques (pois não eram mais novidades) e, depois, passaram a ir para páginas menos relevantes dos blogs (à medida que os blogueiros adicionavam posts).

E por que, então, a homepage do Senado retornou a #1? Porque os posts, e respectivos links, ganharam TrustRank. O algoritmo aguarda algum tempo para avaliar a confiabilidade do post e do link (na verdade, quando falamos de SEO, tempo é fator importante para todos os elementos); à medida que o tempo passa, os posts e links ganham confiança da Google, seu poder de voto aumenta, e a página linkada (no caso, a homepage do Senado) sobe nos rankings.

Estudo de caso: subir na Google para a pesquisa sobre Receita Federal

November 16th, 2007

Deparei-me com outro caso interessante. O brpoint comentou que visitara um site que conseguira um aumento expressivo nos rankings, mas não conseguira aumento proporcional nos rendimentos.O site em questão é http://holococos.sjdr.com.br/.

O gráfico abaixo, que foi disponibilizado pelo webmaster do site, mostra o número de visitantes no período de 1 de julho a 12 de novembro de 2007.

aumento-trafego.png

Como se vê, em poucos dias o tráfego total do site subiu de algumas centenas de visitantes/dia para a marca de 3.000/dia, e daí aumentou gradualmente para a marca dos 6.000 visitantes/dia. A tabela abaixo mostra as páginas mais visitadas do site:

paginas-visitadas.png

Ainda segundo o autor do site, as expressões [receita federal] e [regularização de CPF] responderam por 42% do aumento no tráfego, e as expressões [como instalar o msn] e [site do msn] responderam por 33% do tráfego; ou seja, num site com quase 3.000 páginas indexadas, 4 páginas responderam por 75% do tráfego.

Que lições se pode tirar disso?

Primeiro: tráfego por si só não gera dinheiro. Como o próprio autor daquele post concluiu, pessoas procurando por [receita federal] não querem comprar nada, e portanto não geram dinheiro para eventuais patrocinadores. O mesmo se dá com pesquisas para [msn], [fotos do acidente da tam], e outros termos populares: eles trazem tráfego, mas não trazem rendimento. O brpoint é de opinião que o adsense teria dado mais dinheiro; eu sou de opinião diferente: se você mandar tráfego inútil para o Adsense, o algoritmo vai logo perceber a baixa qualidade do tráfego e diminuir o pagamento de todos os seus cliques (o que é conhecido como smartpricing); ninguém, seja adsense ou outro patrocinador, quer pagar por tráfego que não converte.

Segundo, e mais importante: por que aquelas páginas chegaram ao topo da Google?

Não, eu não quero chegar ao topo da Google para [receita federal]; mas se eu souber por que a Google gostou daquelas páginas, eu posso tentar aplicar as mesmas técnicas para outros termos e tentar rankear outras páginas, mais lucrativas.

Hoje, para a pesquisa [receita federal], essa página está em #6 na Google, num total de quase 2 milhões; os outros resultados da primeira página são na maioria de sites com autoridade (quatro da própria Receita, duas da fazenda, wikipedia, google notícias e essa outra página, que talvez mereça também um estudo). Para [regularização de cpf], essa página está em #3, entre outros 370.000 e um monte de spam. Para [criar conta no msn], esta página está em #1, em meio a um mar de spam.

O que essas páginas têm em comum, que fizeram a Google gostar tanto delas?

  • Em segundo lugar, os elementos on-page do post foram otimizados: os links que apontam para os posts contêm as palavras-chave, os títulos contêm as palavras-chave, os cabeçalhos dos textos contêm as palavras-chave, e os textos dos posts giram ao redor do tópico, ou seja, contêm diversas palavras correlatas ao tópico (até mesmo as respostas dos usuários contribuíram para isso).
  • Em terceiro lugar: os links externos apontam para sites de utilidade aos visitantes. O post sobre a regularização de cpf aponta para as páginas pertinentes da própria Receita, que é onde o visitante vai resolver seu problema; o post sobre criação de conta do msn dá um detalhado roteiro e aponta para as páginas da própria msn onde, de novo, o usuário conseguirá o que procura.

Isso significa que os links publicados no post foram úteis para o usuário; a Google reconheceu isso e premiou os posts. E como a Google pode ter reconhecido isso? Por exemplo (isso é mera suposição), a Google pode ter percebido que muitos visitantes saíam do post em http://holococos.sjdr.com.br/, iam para o site da Receita (ou do msn), ficavam um bom tempo no site da Receita, consultavam diversas páginas do site da Receita, e não voltavam para google.com.br para refazer a pesquisa inicial.

  • Por fim: tempo. O primeiro pico de tráfego se deu por volta do dia 2 de agosto; o único dos quatro posts sobre Receita e msn que estamos analisando que foi publicado antes de 2 de agosto foi o post sobre a Receita, publicado em 13 de julho. Isso significa que a Google demorou aproximadamente três semanas entre tomar conhecimento da página e atribuir-lhe ranking; esse é provavelmente o tempo necessário para que essa página ganhasse trust (outras páginas em sites mais antigos e com menos links talvez precisassem de mais tempo para ganhar trust). Desde que a Google passou a armazenar informações históricas sobre páginas, links, sites, etc, a idade de todos esses elementos passou a ser importante fator de trust e, consequentemente, de ranking.

Conclusão. Esse caso confirmou muito do que eu havia escrevido nesse outro post: para subir na Google, três elementos são fundamentais: prover informações relevantes, conseguir bons links e esperar (sem empregar truques) o tempo passar.

Google ajusta PR de alguns sites

October 24th, 2007

O site maujor.com é a maior autoridade em português sobre CSS e padrões web. Por anos, o autor dedicou-se a traduzir artigos da http://www.w3.org/ para o Português; a W3, um dos poucos PR10, colocava links para os artigos traduzidos. Graças a esses links da W3, e a milhares de outros que o maujor conquistou merecidamente, graças à alta qualidade da informação que produz (esse é um excelente exemplo de como se conquistam posições no topo da Google), o maujor.com chegou a PR7.

O maujor começou a vender links de publicidade; diferentemente do que dizem os boatos, isso não é problema para a Google (na verdade, a Google quer que os sites vendam publidade - de preferência através do Adsense). O que é um grande problema, sim, é vender publicidade utilizando-se o PR como chamariz.

Isso está ou estava escrito no site do maujor (links removidos): “O site está muitíssimo bem rankeado no Google. A Home Page tem PR7 e a maioria das páginas internas têm PR6.
Isto significa alta visibilidade em resultados de busca. Para saber mais sobre page rank visite esta página.
Para verificar online a PR de uma página visite PR checker info”

E o maujor publicou links para sites sobre pousadas, computadores, hospedagem de sites, imobiliárias, cadastros de sites, etc.

Desde hoje ou há alguns poucos dias, o maujor foi rebaixado para PR4.

Primeira lição: se for vender publicidade, jamais utilize as palavras PageRank, PR, Google, posicionamento, etc. Aliás, um passo ainda mais básico: jamais colocar links para tex**-ads-**lin*s.com ou rev**me.com (eu estou sendo tão cauteloso que, além de não colocar links, sequer escreverei o nome dos sites); se um site contém tais links, de que mais a Google precisa para saber que o site vende/compra links?

Segunda lição: acompanhar os efeitos do rebaixamento. Primeiro, acompanhar o tráfego da maujor, para ver se ele perde tráfego ou se a mudança foi apenas cosmética (para impedir a maujor de vender e desestimular possíveis compradores). Segundo, acompanhar alguns dos anunciantes do maujor, para ver se eles perdem seus bons rankings.

Update 1: não foi só o maujor. Diversos sites que abertamente vendem links tiveram o PR rebaixado; ver esse post do webmasterworld.

Update 2: Poucos dias após o ‘ajuste’ acima, a Google exportou uma nova lista de PR. Como de hábito, a ‘atualização’ causou barulho nos blogs brasileiros; ver, por exemplo, esse post. Também como de hábito, ninguém reportou grandes aumentos ou grandes diminuições de tráfego.

Update 3: o maujor não perdeu nenhum dos seus rankings. Continua, merecidamente, em primeiro lugar para a competitiva palavra CSS (inclusive com os também merecidos sitelinks). A Google não puniu o maujor; a Google quer estimular webmaster a criarem mais sites como o maujor, ricos em informação; a Google apenas não quer que o maujor venda links usando PageRank como incentivo.

Um número maior de pessoas começa a desconfiar de que esse tal de PageRank não é tão importante assim. Em mais alguns meses, algumas pessoas devem começar a perceber que TrustRank e o histórico dos sites são mais importantes que PageRank.

Update 4, 16 de novembro: o tráfego do Maujor não sofreu nenhuma redução; a redução de PR7 para PR4 não teve nenhum efeito.

Google, o Big Brother

October 22nd, 2007

Artigo publicado no Times On Line de 21 de outubro de 2007: Google olha tudo o que você faz.

A Google diz o quão longe quer ir na sua missão de ordenar TODA a informação disponível no mundo.

Como o artigo deve ir algum dia para o arquivo (protegido), transcrevo alguns trechos:

“Google’s techno-dream comes in three bytes. The first is loosely referred to as “universal search”. Scribbling frantically on a whiteboard, Mayer, Google’s head of search products and user experience, says the web is currently “very limited and primitive”. It consists mainly of words, images and some music, mostly created in the last few years. There is much, much more that could – and should – be online. At its simplest level, this includes every film, TV show, video or radio broadcast ever made; every book, academic paper, pamphlet, government document, map, chart and blog ever published in any language anywhere; and any piece of music ever recorded. Google is currently developing new software that will scan millions of new sources of information to give richer search results.

The second part of Google’s techno-dream is “personalised search”. Google has just launched iGoogle, a new turbocharged version of its regular search service. It allows Google to monitor our search and web-surfing history, so that it can find out who we are, how old we are, what job we do, whether we are married and have children, where we go on holiday, what we do in our spare time – anything, in fact, that it can glean from our web-surfing, which, since we do so much online these days, means pretty much everything. Google wants us to sign up for iGoogle on our PC, and also to install it, along with Gmail, Google Maps and Google Earth software, on our mobile phone, so that it knows not just who we are but where we are in the world, 24 hours a day, thanks to the satellite-positioning chips starting to be included in mobile phones.

The final piece of the Google future is called “cloud computing”. Instead of using the internet to search for information that we then copy and use to work on documents stored on the hard drives of our computers, using the software on those computers, Google wants us to create all our documents online, to work on them online using Google’s web-based software, and to store them online on Google’s vast global network of servers. Google has recently launched its own web-based software programs – called Google Apps – that enable us to create password-protected word files and spreadsheets, edit them and store them online. These applications – along with Gmail, Calendar, Google’s online diary, Picasa, its picture-management and storage system, and Presentations, its online version of PowerPoint – mean Google will provide all our computing and storage needs, not on our PCs but, as Mayer puts it, “in the computational cloud”.