A importância da Primeira Página
Nesse outro post, coloquei alguns motivos para explicar por que um bom posicionamento na primeira página de respostas (SERPs) vai tornar-se cada vez mais difícil e relevante.
Minha experiência já havia demonstrado isso. Chegar à primeira página, ainda que ao último link dela, gera um significativo aumento no número de visitas em relação à segunda página; depois, chegar ao que se chama ‘above the fold’, ou seja, o espaço visível da primeira página sem necessidade de rolagem vertical, gera um outro significativo aumento; e, finalmente, chegar ao topo da primeira página causa o maior dos aumentos em tráfego.
E isso é fácil de explicar: as pessoas tendem naturalmente a clicar naquilo que está imediatamente na frente de sua vista (ou seja, o topo das SERPs); rolar a tela para baixo exige que se posicione o mouse em um local específico (poucas pessoas sabem que podem rolar a tela com as setas), e passar à segunda página exige ainda mais intimidade com o navegador (o usuário tem que clicar no pequeno 2 ou no obscuro Mais no finalzinho da página). Eu acho que o usuário típico clica no que quer que a Google mostre na primeira página, ou repete a pesquisa com outros termos.
Recentemente, deparei-me com esse estudo sobre cliques na primeira página. Os resultados do estudo não apenas confirmam a importância da primeira página, mas mostram que é ainda mais importante estar no topo dela.
A origem da História: em agosto de 2006, a AOL, maior provedora de acesso à internet dos Estados Unidos, deixou que um enorme banco de dados vazasse para a internet; esse banco continha uma relação de milhões de pesquisas efetuadas por usuários AOL, bem como seu comportamento (quais links foram clicados) perante as páginas de resposta. À época, houve grandes discussões nos EUA, pois isso poderia ser visto como uma violação à privacidade das pessoas (algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis se *todas* as palavras que elas pesquisaram na internet fossem tornadas públicas); um exemplo dessa discussão está aqui.
Mas voltemos ao estudo, que é o que nos interessa aqui. Alguém fez uma análise dos mais de 36 milhões de pesquisas e mais de 19 milhões de cliques (o que indica que quase a metade das pesquisas não gera nenhum clique). A figura abaixo mostra a distribuição dos cliques nos links da primeira página:

Como se vê, a posição #1 recebe mais de 42% dos cliques ! Quase a metade de todos os usuários clicam o site #1. O site número 2 recebe aproximadamente 12% dos cliques, ou menos de um terço; o número 3 recebe pouco mais de 8%; os sites 6 em diante, que certamente está abaixo da dobra, recebem menos de 4%; é interessante observar que o site #10, provavelmente por ser a última opção apresentada ao usuário, recebe um pouco mais de cliques que o número 9.
E a página 2? A pesquisa revelou como o número de visitantes que passam à página 2 cai drasticamente:

Menos de 1% dos usuários passaram à página 2.
Cabem algumas observações: primeiro, os dados referem-se apenas aos usuários da AOL, que, pode-se argumentar, não refletem o universo de usuários da internet; entretanto, sabe-se que os usuários AOL (americano, que paga mensalmente com cartão de crédito suas mensalidades) são dos mais contumazes compradores via internet, ou seja, são os que mais interessam a sites comerciais. Segundo, desde o vazamento dos dados, cada vez mais o topo das SERPs vem sendo tomado por links patrocinados (veja o site da AOL); isso significa que mesmo o topo dos links orgânicos pode ter perdido relevância hoje.
Mas uma conclusão é certa: estar na primeira página das SERPs faz toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de um site.