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Google combate Made For Adsense (MFA) sites

Monday, May 21st, 2007

Vários webmasters que trabalham com sites Made For Adsense receberam uma mensagem da Google, comunicando que as respectivas contas seriam desabilitadas em 1 de junho; ver, por exemplo, esse thread do webmasterworld.

(Estou catalogando esse post como black hat porque pretendo escrever mais sobre o assunto no futuro; entretanto, a técnica por trás dos sites MFA se encaixaria melhor em gray hat, provavelmente).

O que são sites Made For Adsense? São aqueles sites em que os webmasters têm o único propósito de gerar cliques (e dinheiro) por meio do programa Adsense. A página contém pouco ou nenhum conteúdo; as posições proeminentes (topo da página e barras de navegação) são ocupadas por anúncios Adsense. No restante da página, comumente se encontra um amontoado de palavras-chave, ou uma coleção de links sobre a palavra-chave obtida de uma Search Engine; esse amontoado e essa coleção são importantes para orientar o bot do Adsense a mostrar os anúncios conexos com a palavra-chave.

A idéia é gerar milhares dessas páginas (geralmente, utilizando um software específico), colocá-las online e atrair milhares de visitantes (mesmo que cada página consiga uma ou duas visitas por dia, o acumulado é considerável). Como os visitantes não têm nada de útil para ler, eles clicam nos anúncios, gerando renda para o webmaster.

E como atrair as visitas? Há os que utilizam técnicas de black hat; esses sempre foram monitorados pela Google, e são geralmente banidos assim que descobertos. E há os que utilizam (e terão que parar em 1 de junho) a arbitragem Adsense x Adwords.

Como funciona isso? A idéia é descobrir um nicho em que os cliques sejam baratos, colocar anúncios (via Adwords) nesses sites, obter cliques e enviar os usuários para páginas que contenham anúncios Adsense em um outro nicho de valor mais elevado.

Um exemplo (puramente hipotético): alguém descobre que Adwords em páginas sobre pneus custam US$ 0.05; ele coloca anúncios em todos os sites sobre pneus com o título “pneus de ferrari”; os visitantes são então levados a páginas com pouco mais que um palavreado sobre Ferrari, e anúncios de revendedores da Ferrari, que pagam US$ 5 por clique. A cada clique, o webmaster ganha US$ 5, ou seja, cem vezes mais do que ele pagou pelo visitante.

É claro que diversos outros fatores afetam a lucratividade da operação. Por exemplo, a taxa de conversao - conversion rate -, ou seja, o número de pessoas que vêm do site sobre pneus e clicam no site sobre Ferrari; ou, ainda, o smart pricing, que tanto pode aumentar o custo dos cliques nos sites sobre pneus como diminuir o valor dos cliques nos sites para as Ferraris. Mas há todo um grupo de webmasters que se especializou nessa técnica, e por meio da monitoração de milhares de palavras-chave em diversos nichos, milhares de páginas-alvo (as landing pages), exaustivos testes de posicionamento, etc, atingiram lucros fabulosos (na thread do webmasterworld acima, há alguns webmasters que dizem ganhar mais de US$ 10 mil dólares, e há um que afirma ter ganho US$ 70 mil nesse mês).

A Google, evidentemente, sempre soube que isso ocorria, e, apesar das reclamações de diversas pessoas (tanto publishers como anunciantes), jamais atuou para impedir esses webmasters; afinal - esse é um consenso que se formou nos boards - a Google ganha sua comissão em qualquer caso.

Agora, parece que a Google se convenceu de que isso é negativo quer para sua imagem quer para sua lucratividade, e gentilmente deu um aviso-prévio para que os webmasters alterem suas práticas.

A se analisar o impacto que isso terá para publishers e anunciantes.

Tráfego Qualificado

Tuesday, May 8th, 2007

O objetivo de (quase) todos os sites é conseguir tráfego.

Muito melhor que conseguir tráfego, entretanto, é conseguir tráfego qualificado; a expressão largamente utilizada em inglês é targeted traffic.

O tráfego qualificado é aquele que procura o que você está oferecendo. Com isso, as chances de que o visitante venha a gostar do seu site, colocá-lo nos Favoritos, divulgar o site (inclusive colocando links, se ele puder), e eventualmente comprar algo que você ou seus anunciantes vendam é muito maior.

Suponhamos um site sobre, por exemplo, uma pousada em Maceió; o dono da pousada, provavelmente, está interessado em utilizar o site para atrair potenciais hóspedes.

O dono poderia colocar um anúncio por um mês na primeira página da UOL, utilizando um banner em Flash com belas praias e uma mensagem “Conheça o Paraíso” (Maceió é de fato uma boa candidata a paraíso na Terra). Dos milhões de usuários que acessam o UOL mensalmente, é provável que alguns milhares cliquem o link.

O site teria milhares de visitantes, mas a taxa de conversão (ou seja, o número de visitantes que efetivamente fecham um negócio - no caso, uma reserva no hotel) seria muito baixa. Por quê? Porque a maioria dos visitantes seria de usuários do UOL que estivessem acessando a homepage UOL para tratar de outros assuntos (ler emails, revistas, etc) e foram ocasionalmente atraídos por um banner chamativo.

Como poderíamos qualificar um pouco mais o tráfego? Poderíamos, por exemplo, colocar o banner não na homepage, mas na seção de Turismo do UOL; assim, saberíamos que os potenciais visitantes estariam de alguma forma interessados em turismo. Mais: poderíamos colocar o banner na página sobre Turismo em Maceió da UOL; além disso, o banner poderia informar claramente “Pousada em Maceió”.

Certamente, o número de visitantes seria menor, mas o tráfego seria muito mais qualificado: seriam pessoas que estivessem lendo sobre Maceió, e clicariam para um site sobre pousadas em Maceió. A probabilidade de conversão seria muito maior.

Entretanto, a divulgação em sites como UOL, Terra, Globo, etc é restrita a poucos, em razão do custo. Existe alguma outra maneira de se obter tráfego qualificado a baixo custo?

O tráfego de Search Engines é altamente qualificado. O usuário já informou à SE o que ele está procurando. O usuário já refinou os resultados da SE ao ler os links da página de respostas e escolhendo o que mais lhe agrada.

Para o dono da nossa pousada, ter o site na primeira página da Google, Yahoo e msn para “pousada em Maceió” é, na minha opinião, a melhor forma de divulgação.

O modelo de negócios do Buscapé

Friday, May 4th, 2007

Com algum atraso, gostaria de fazer alguns comentários sobre o programa de afiliados do Buscapé.

Tomei conhecimento da popularidade do programa há algumas semanas, quando vi alguns posts em outros blogs, como aqui e aqui. Esses posts criticam o buscapé, acusando-o de mudanças bruscas e unilaterais no programa de afiliados.

O programa é muito simples: uma vez tendo o site aprovado, o afiliado coloca links para páginas de comparação de preços do Buscapé, tendo como palavra-chave um produto ou serviço. Os links são colocados em locais proeminentes, e são em geral acompanhados de chamadas como “Compare Preços de”. A cada vez que um usuário clica para o Buscapé e, chegando lá, clica em pelo menos mais um link, o afiliado é creditado com um valor fixo de R$ 0.13 (ou próximo disso).

Na minha opinião, esse programa, e todos os outros semelhantes, estão fadados a, na melhor das hipóteses, passarem por “mudanças bruscas e unilaterais”.

Os cliques na internet NÃO TÊM o mesmo valor. Um modelo de negócios que se propõe a pagar o mesmo valor por qualquer clique não tem como prosperar. Ou ele está pagando mais do que o clique vale (e corre o risco de falir), ou está pagando menos (e cedo ou tarde será superado por um concorrente que pague um valor mais realista).

Por exemplo, examinemos duas lojas eletrônicas. Uma vende livros por R$30, com margem de lucro de R$ 10; se ela precisar de 100 visitantes para fechar uma compra, ela pagará R$ 13 ao afiliado (sem falar da comissão do próprio Buscapé), e portanto terá prejuízo. Uma outra loja vende TVs de plasma por R$ 5.000, com margem de lucro de R$ 1.000; mesmo que ela feche uma venda a cada 100 visitantes, a comissão paga (R$ 13 do afiliado mais a parte do Buscapé) será muito pequena, comparada ao lucro da transação.

É por isso que o Adsense não informa quanto pagou ou pagará por clique; isso depende de quanto lucro os seus cliques gerarão para o anunciante. É por isso também que os publishers do Adsense estão sujeitos ao famoso smart pricing: de tempos em tempos, o algoritmo verifica a produtividade dos cliques, e ajusta um “fator de correção de pagamentos”.

Conclusão: se você usa o Buscapé e seu site é meio para vender livros e outros produtos de baixo valor, esteja preparado para ser comunicado sobre “alterações no programa”; se seu site fala sobre tecnologia e outros produtos de alto valor, procure um programa que pague na base de comissão sobre vendas.

Histórico de Busca X Anúncios Adsense

Thursday, May 3rd, 2007

Desde já há alguns meses, é possível fazer pesquisas na Google estando logado como usuário Google; nesse caso, o email do usuário é mostrado no canto superior direito da página de respostas. Ao se fazer pesquisas como usuário ativo, está-se informando à Google quais pesquisas foram feitas por aquele usuário.

Há umas duas semanas, a Google divulgou o primeiro efeito dessa mudança para o usuário: é possível (na versão em inglês) visualizar o histórico de suas pesquisas (quais palavras foram pesquisadas, quais sites foram visitados, quantas vezes, em que horário, etc) e fazer alguns relatórios.

Eu pessoalmente não me entusiasmei muito com esses ’serviços’, mas desde logo ficou claro para mim que a Google certamente usuaria esses dados para personalizar as SERPs. Por exemplo, se vc. faz muitas pesquisas por [lula] e visita apenas sites sobre o molusco (receitas, criação, etc), seria de se esperar que após algum tempo a Google parasse de exibir sites sobre o Presidente.

Isso aparentemente ainda não está acontecendo, mas alguns membros do Webmasterworld lançaram a hipótese de que os anúncios do Adsense estariam sendo mostrados de acordo com os hábitos do visitante (ver aqui). Por exemplo, diz um membro, se o usuário é piloto de avião, e faz constates pesquisas por temas relacionados à aviação, o Adsense pode mostrar anúncios sobre aviação, mesmo quando o usuário visita páginas que não estão relacionadas com aviação.

É outra tentativa da Google de mostrar anúncios que tenham maior chances de serem clicados. A se acreditar na afirmação da Google, de que eles fazem o possível para aumentar o retorno dos publishers, a idéia pode ter um impacto positivo. A verificar.