Archive for the ‘Histórias’ Category

A importância da Primeira Página

Monday, May 28th, 2007

Nesse outro post, coloquei alguns motivos para explicar por que um bom posicionamento na primeira página de respostas (SERPs) vai tornar-se cada vez mais difícil e relevante.

Minha experiência já havia demonstrado isso. Chegar à primeira página, ainda que ao último link dela,  gera um significativo aumento no número de visitas em relação à segunda página; depois, chegar ao que se chama ‘above the fold’, ou seja, o espaço visível da primeira página sem necessidade de rolagem vertical, gera um outro significativo aumento; e, finalmente, chegar ao topo da primeira página causa o maior dos aumentos em tráfego.

E isso é fácil de explicar: as pessoas tendem naturalmente a clicar naquilo que está imediatamente na frente de sua vista (ou seja, o topo das SERPs); rolar a tela para baixo exige que se posicione o mouse em um local específico (poucas pessoas sabem que podem rolar a tela com as setas), e passar à segunda página exige ainda mais intimidade com o navegador (o usuário tem que clicar no pequeno 2 ou no obscuro Mais no finalzinho da página). Eu acho que o usuário típico clica no que quer que a Google mostre na primeira página, ou repete a pesquisa com outros termos.

Recentemente, deparei-me com esse estudo sobre cliques na primeira página. Os resultados do estudo não apenas confirmam a importância da primeira página, mas mostram que é ainda mais importante estar no topo dela.

A origem da História: em agosto de 2006, a AOL, maior provedora de acesso à internet dos Estados Unidos, deixou que um enorme banco de dados vazasse para a internet; esse banco continha uma relação de milhões de pesquisas efetuadas por usuários AOL, bem como seu comportamento (quais links foram clicados) perante as páginas de resposta. À época, houve grandes discussões nos EUA, pois isso poderia ser visto como uma violação à privacidade das pessoas (algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis se *todas* as palavras que elas pesquisaram na internet fossem tornadas públicas); um exemplo dessa discussão está aqui.

Mas voltemos ao estudo, que é o que nos interessa aqui. Alguém fez uma análise dos mais de 36 milhões de pesquisas e mais de 19 milhões de cliques (o que indica que quase a metade das pesquisas não gera nenhum clique). A figura abaixo mostra a distribuição dos cliques nos links da primeira página:

estudo-aol.png

Como se vê, a posição #1 recebe mais de 42% dos cliques ! Quase a metade de todos os usuários clicam o site #1. O site número 2 recebe aproximadamente 12% dos cliques, ou menos de um terço; o número 3 recebe pouco mais de 8%; os sites 6 em diante, que certamente está abaixo da dobra, recebem menos de 4%; é interessante observar que o site #10, provavelmente por ser a última opção apresentada ao usuário, recebe um pouco mais de cliques que o número 9.

E a página 2? A pesquisa revelou como o número de visitantes que passam à página 2 cai drasticamente:

estudo-aol-2.png

Menos de 1% dos usuários passaram à página 2.

Cabem algumas observações: primeiro, os dados referem-se apenas aos usuários da AOL, que, pode-se argumentar, não refletem o universo de usuários da internet; entretanto, sabe-se que os usuários AOL (americano, que paga mensalmente com cartão de crédito suas mensalidades) são dos mais contumazes compradores via internet, ou seja, são os que mais interessam a sites comerciais. Segundo, desde o vazamento dos dados, cada vez mais o topo das SERPs vem sendo tomado por links patrocinados (veja o site da AOL); isso significa que mesmo o topo dos links orgânicos pode ter perdido relevância hoje.

Mas uma conclusão é certa: estar na primeira página das SERPs faz toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de um site.

Florida Update

Sunday, May 27th, 2007

Em outros posts, como esse último, eu menciono o Update Florida.

Até meados de 2004, havia alguma regularidade nas atualizações do índice da Google. Durante aproximadamente um mês, os bots da Google vasculhavam a web coletando páginas e analisando links. Então, durante alguns dias, alguns servidores eram alimentados com os dados coletados, e tinha início o enorme trabalho de cálculo do PageRank. Feitos os cálculos, os novos dados (páginas, índice invertido, PageRank, etc) eram enviados aos servidores de SERPs (o processo tomava alguns dias), e o mundo podia ver o que a Google considerava ser as melhores páginas para cada palavra.

Esse período em que os dados do índice eram atualizados eram chamados Google Dance; o nome deriva do fato de que as páginas se comportavam como se estivessem dançando (algumas subindo, algumas descendo). O pessoal da Webmasterworld resolveu batizar cada dança com um nome de mulher, e a cada vez com uma letra sucessiva, à semelhança com o que os Americanos fazem com furacões; assim é que houve, entre outras, as update Dominique, Emerald and Florida (são as de que me lembro; infelizmente, o arquivo da WMW não está indexado para buscas).

A update Florida foi marcante. Até então (novembro de 2003), o algoritmo da Google era fortemente baseado em dois fatores: PageRank e texto-âncora. Muitas pessoas passavam um mês acumulando links em páginas de alto PR e, no mês seguinte, comemoravam abertamente o resultado nos forums.

Depois da Florida, o mundo nunca mais foi o mesmo para os SEOs.

Alguns links:

Florida update: http://www.webmasterworld.com/forum3/18347.htm

Florida update para membros da WMW (mais informação, menos ruído): http://www.webmasterworld.com/forum78/2874.htm

Comentários de algumas pessoas que passaram imunes pelo Florida: http://www.webmasterworld.com/forum78/3138.htm

Qual o mais terrível update na histórida das Search Engines? http://www.webmasterworld.com/forum5/3355.htm (parece que, em 1999, a Altavista, que era a Google de então, promoveu uma mudança profunda, para incluir os chamados “links patrocinados”).

Vale a pena ler tudo isso? Sem dúvida; se não por outro motivo, para ver como a vida de um SEO pode ser mudada do dia para a noite. Eu já reli essas threads e as outras, referentes aos updates anteriores (Dominique, Emerald, etc) algumas vezes; é interessante ver como a Google, ainda que não pareça, está sempre um passo adiante dos webmasters.