Google combate Made For Adsense (MFA) sites

Vários webmasters que trabalham com sites Made For Adsense receberam uma mensagem da Google, comunicando que as respectivas contas seriam desabilitadas em 1 de junho; ver, por exemplo, esse thread do webmasterworld.

(Estou catalogando esse post como black hat porque pretendo escrever mais sobre o assunto no futuro; entretanto, a técnica por trás dos sites MFA se encaixaria melhor em gray hat, provavelmente).

O que são sites Made For Adsense? São aqueles sites em que os webmasters têm o único propósito de gerar cliques (e dinheiro) por meio do programa Adsense. A página contém pouco ou nenhum conteúdo; as posições proeminentes (topo da página e barras de navegação) são ocupadas por anúncios Adsense. No restante da página, comumente se encontra um amontoado de palavras-chave, ou uma coleção de links sobre a palavra-chave obtida de uma Search Engine; esse amontoado e essa coleção são importantes para orientar o bot do Adsense a mostrar os anúncios conexos com a palavra-chave.

A idéia é gerar milhares dessas páginas (geralmente, utilizando um software específico), colocá-las online e atrair milhares de visitantes (mesmo que cada página consiga uma ou duas visitas por dia, o acumulado é considerável). Como os visitantes não têm nada de útil para ler, eles clicam nos anúncios, gerando renda para o webmaster.

E como atrair as visitas? Há os que utilizam técnicas de black hat; esses sempre foram monitorados pela Google, e são geralmente banidos assim que descobertos. E há os que utilizam (e terão que parar em 1 de junho) a arbitragem Adsense x Adwords.

Como funciona isso? A idéia é descobrir um nicho em que os cliques sejam baratos, colocar anúncios (via Adwords) nesses sites, obter cliques e enviar os usuários para páginas que contenham anúncios Adsense em um outro nicho de valor mais elevado.

Um exemplo (puramente hipotético): alguém descobre que Adwords em páginas sobre pneus custam US$ 0.05; ele coloca anúncios em todos os sites sobre pneus com o título “pneus de ferrari”; os visitantes são então levados a páginas com pouco mais que um palavreado sobre Ferrari, e anúncios de revendedores da Ferrari, que pagam US$ 5 por clique. A cada clique, o webmaster ganha US$ 5, ou seja, cem vezes mais do que ele pagou pelo visitante.

É claro que diversos outros fatores afetam a lucratividade da operação. Por exemplo, a taxa de conversao - conversion rate -, ou seja, o número de pessoas que vêm do site sobre pneus e clicam no site sobre Ferrari; ou, ainda, o smart pricing, que tanto pode aumentar o custo dos cliques nos sites sobre pneus como diminuir o valor dos cliques nos sites para as Ferraris. Mas há todo um grupo de webmasters que se especializou nessa técnica, e por meio da monitoração de milhares de palavras-chave em diversos nichos, milhares de páginas-alvo (as landing pages), exaustivos testes de posicionamento, etc, atingiram lucros fabulosos (na thread do webmasterworld acima, há alguns webmasters que dizem ganhar mais de US$ 10 mil dólares, e há um que afirma ter ganho US$ 70 mil nesse mês).

A Google, evidentemente, sempre soube que isso ocorria, e, apesar das reclamações de diversas pessoas (tanto publishers como anunciantes), jamais atuou para impedir esses webmasters; afinal - esse é um consenso que se formou nos boards - a Google ganha sua comissão em qualquer caso.

Agora, parece que a Google se convenceu de que isso é negativo quer para sua imagem quer para sua lucratividade, e gentilmente deu um aviso-prévio para que os webmasters alterem suas práticas.

A se analisar o impacto que isso terá para publishers e anunciantes.

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