Google combate Made For Adsense (MFA) sites

May 21st, 2007

Vários webmasters que trabalham com sites Made For Adsense receberam uma mensagem da Google, comunicando que as respectivas contas seriam desabilitadas em 1 de junho; ver, por exemplo, esse thread do webmasterworld.

(Estou catalogando esse post como black hat porque pretendo escrever mais sobre o assunto no futuro; entretanto, a técnica por trás dos sites MFA se encaixaria melhor em gray hat, provavelmente).

O que são sites Made For Adsense? São aqueles sites em que os webmasters têm o único propósito de gerar cliques (e dinheiro) por meio do programa Adsense. A página contém pouco ou nenhum conteúdo; as posições proeminentes (topo da página e barras de navegação) são ocupadas por anúncios Adsense. No restante da página, comumente se encontra um amontoado de palavras-chave, ou uma coleção de links sobre a palavra-chave obtida de uma Search Engine; esse amontoado e essa coleção são importantes para orientar o bot do Adsense a mostrar os anúncios conexos com a palavra-chave.

A idéia é gerar milhares dessas páginas (geralmente, utilizando um software específico), colocá-las online e atrair milhares de visitantes (mesmo que cada página consiga uma ou duas visitas por dia, o acumulado é considerável). Como os visitantes não têm nada de útil para ler, eles clicam nos anúncios, gerando renda para o webmaster.

E como atrair as visitas? Há os que utilizam técnicas de black hat; esses sempre foram monitorados pela Google, e são geralmente banidos assim que descobertos. E há os que utilizam (e terão que parar em 1 de junho) a arbitragem Adsense x Adwords.

Como funciona isso? A idéia é descobrir um nicho em que os cliques sejam baratos, colocar anúncios (via Adwords) nesses sites, obter cliques e enviar os usuários para páginas que contenham anúncios Adsense em um outro nicho de valor mais elevado.

Um exemplo (puramente hipotético): alguém descobre que Adwords em páginas sobre pneus custam US$ 0.05; ele coloca anúncios em todos os sites sobre pneus com o título “pneus de ferrari”; os visitantes são então levados a páginas com pouco mais que um palavreado sobre Ferrari, e anúncios de revendedores da Ferrari, que pagam US$ 5 por clique. A cada clique, o webmaster ganha US$ 5, ou seja, cem vezes mais do que ele pagou pelo visitante.

É claro que diversos outros fatores afetam a lucratividade da operação. Por exemplo, a taxa de conversao - conversion rate -, ou seja, o número de pessoas que vêm do site sobre pneus e clicam no site sobre Ferrari; ou, ainda, o smart pricing, que tanto pode aumentar o custo dos cliques nos sites sobre pneus como diminuir o valor dos cliques nos sites para as Ferraris. Mas há todo um grupo de webmasters que se especializou nessa técnica, e por meio da monitoração de milhares de palavras-chave em diversos nichos, milhares de páginas-alvo (as landing pages), exaustivos testes de posicionamento, etc, atingiram lucros fabulosos (na thread do webmasterworld acima, há alguns webmasters que dizem ganhar mais de US$ 10 mil dólares, e há um que afirma ter ganho US$ 70 mil nesse mês).

A Google, evidentemente, sempre soube que isso ocorria, e, apesar das reclamações de diversas pessoas (tanto publishers como anunciantes), jamais atuou para impedir esses webmasters; afinal - esse é um consenso que se formou nos boards - a Google ganha sua comissão em qualquer caso.

Agora, parece que a Google se convenceu de que isso é negativo quer para sua imagem quer para sua lucratividade, e gentilmente deu um aviso-prévio para que os webmasters alterem suas práticas.

A se analisar o impacto que isso terá para publishers e anunciantes.

Afiliados e SERPs

May 17th, 2007

Lembrei-me do caso Buscapé quando vi esse post.  Nele, o autor fala das maneiras como os links dos afiliados para o site destino (no caso, o Buscapé; o site original fala em merchants, que é a entidade que vende os produtos; o Buscapé é algo como um intermediário entre os afiliados e os merchants) podem ser configurados.

A maneira mais simples, que é a adotada pelo Buscapé, é colocar um link direto, sem redirecionamento, como:

http://busca.busc*pe.com.br/cprocura?lkout=1&site_origem=123&produto=DVD

Nesse caso, o Buscapé cria uma página para cada afiliado; cada afiliado envia tráfego para sua página alvo, que será diferente das demais apenas no que tange ao parâmetro site_origem. Todas essas páginas terão idêntico conteúdo, apesar de terem URLs ligeiramente diferentes. A Google vai filtrar as páginas repetidas, e exibir a que julgar mais relevante; e qual será essa? será provavelmente aquela que recebeu um link do afiliado mais relevante.

Nesse tipo de página, não ocorre redirecionamento. A página entregue pelo servidor http é exatamente a página requerida pelo navegador. Para indicar essa situação, o servidor http envia junto com a página um header de código 200; essa página tem uma ferramenta que faz um header check.

Outras maneiras de se implementar o  link de afiliados fazem uso de redirecionamentos, implementados no servidor http. Por essa técnica, o que acontece é o seguinte: 1) o afiliado envia o visitante para uma URL do merchant, contendo o código do afiliado; 2) o servidor do merchant coloca um cookie na máquina do visitante, e partir daí qualquer transação do visitante é (ou deveria ser) associada ao afiliado;  3) o servidor redireciona o visitante para uma outra página do site, com o conteúdo que o visitante deseja. Nessa situação, os bots também seguem os redirecionamentos, e portanto apenas enxergam a página final (após o redirecionamento); por isso, não há como haver indexação de páginas duplicadas.

Há dois tipos de redirecionamentos: 1) redirecionamento temporário: informa aos user agents (que incluem os navegadores e os bots) que a página destino é temporária, e que o conteúdo da página destino em algum momento retornará para a página sendo redirecionada; o bot provavelmente vai indexar a página sendo redirecionada; o servidor http envia o código 302 para sinalizar essa situação; 2) redirecionamento permanente: informa  aos user agents que o redirecionamento é permanente; o conteúdo da página final é o que deve ser levado em conta; os bots, nesse caso, vão indexar a página final.

Abre parênteses. Durante algum tempo, os black hats utilizaram essas propriedades do redirecionamento temporário (header 302) para roubar rankings de outras páginas; escreverei sobre isso em outro post (atualização: leia mais sobre essa técnica black hat). Fecha parênteses.

O autor do post sugere aos merchants que adote o redirecionamento permanente (301). Com isso, não apenas se evitaria a indexação de páginas de conteúdo repetido, como se teria a vantagem de que a única página indexada seria a do merchant (sem códigos de afiliados) e mais, todos os afiliados estariam contribuindo para o ranking daquela página específica. Para o visitante, a única diferença é que ele não veria aquela URL enorme na barra de navegação.

As desvantagens seriam apenas dos afiliados (e o autor do post chama a atenção para esse ponto): além de depender do cookie do merchant (se a máquina do visitante não aceitasse cookies, o afiliado perderia a venda; o redirecionamento ocorre de qualquer maneira, gerando negócios para o merchant), o afiliado estaria sendo usado para alavancar o ranking do merchant.

O Buscapé tomou a pior decisão de todas: não utilizou redirecionamentos (os quais teriam evitado a confusão desde o início), e após ver a indexação de páginas de afiliados, em vez de premiá-los, resolveu puni-los.

Quanto vale um domínio?

May 16th, 2007

O registro de um domínio .com custa hoje ao redor de uns US$ 12 por ano; costumava ser US$ 35 há uns dez anos. Mas a quanto pode chegar o valor de venda de um domínio?

Como em outras transações do mundo real, também na internet o valor de venda de um bem depende da lucratividade futura proporcionada pelo bem. Um domínio proporcionará tanto mais lucros: 1) quanto maior for a quantidade de tráfego; 2) quanto mais propenso a gerar lucro for o tráfego (leia esse post sobre qualidade de tráfego).

Essas provavelmente são as explicações por trás de dois grandes negócios recentes envolvendo domínios: o poker.com foi vendido por mais de um milhão de dólares, e o porn.com foi vendido por nove milhões de dólares.

Os compradores certamente sabem que: 1) muito usuários simplesmente digitam poker.com e porn.com na barra de endereços do navegador;  2) esses usuários são altamente qualificados, e são altamente propensos a comprar.

Esse tipo de usuários é chamado de type-in visitors (usuários que digitam o domínio diretamente no navegador). Esse tipo de usuário é ainda mais qualificado do que os enviados pelas Search Engines. Isso explica porque certos domínios atingem alto valor de venda.

O que é TrustRank ?

May 16th, 2007

O que fez a Google o que ela é hoje foi o Pagerank.

O PageRank de uma página era um número calculado pelo algoritmo da Google, proporcional ao PageRank das páginas que continham um link apontando para aquela página. Sim, o processo é recursivo; para saber o PR de uma dada página, eu tenho que saber o PR das outras páginas que linkam para ela; e para saber os PR das páginas que linkam para ela, eu tenho que saber os PRs das outras páginas que linkam para as páginas que linkam para ela, etc., etc..

Alguns sites (nenhum em Português, que eu saiba), tentaram explicar os fundamentos matemáticos do PageRank. Cada página tinha então um PR, que era usado como fator de pontuação e rankeamento: após calcular o score parcial de uma página em função dos demais critérios de rankeamento (número de vezes que a palavra aparece no texto, uso de palavras similares, palavras em negrito, etc), tal score parcial era “ajustado” pelo PageRank da página.

Para quem entende de banco de dados: o PR era apenas uma variável extra num banco de dados relacional; a pontuação era calculada como se o PR não existisse (pelos mesmos critérios que se empregavam antigamente: densidade de palavras, palavras no título, palavras em negrito, etc), e daí essa pontuação era multiplicada pelo valor da variável PR.

Dado isso, era relativamente fácil melhorar o posicionamento de uma página: bastava aumentar o PageRank. E como aumentar o PageRank? Bastava conseguir links em outras páginas com alto PageRank (na verdade, qualquer página, desde que tivesse algum PageRank, servia). Para garantir resultados ainda melhores, devia-se pedir à página com link que adotasse como texto-âncora a palavra desejada. O processo era todo automatizado, dependendo inteiramente de algoritmos, e algoritmos não são capazes de julgar as intenções dos webmasters.

Desde o update Flórida, no final de 2003, isso mudou. Hoje em dia, o TrustRank é muito mais importante do que o PageRank.

Trust é a palavra em inglês para ‘confiança’. A Google quer ter confiança num link, antes de lhe conceder o poder de alavancar uma página. Veja o paper original sobre TrustRank. Traduzo um trecho do resumo: “Páginas de spam utilizam várias técnicas para obter rankings melhores do que os merecidos nas Search Engines. Embora humanos possam identificar spam, o processo de avaliação manual de um grande número de páginas fica muito caro. Em vez disso, nós propomos técnicas para, de forma semi-automática, separar as páginas boas e reputáveis daquelas de spam. Uma vez que páginas-semente reputáveis sejam manualmente identificadas, nós utilizamos a estrutura de links da web para identificar outras páginas que provavelmente são também reputáveis. Nesse paper nós discutimos algumas maneiras possíveis para implementar a identificação de páginas-semente e a descoberta de novas páginas confiáveis”.

Ou seja, o processo deixou de ser automático. Com TrustRank, um ser humano deve identificar quais são as páginas de confiança (que são chamadas de seed pages, ou páginas-semente); a essas páginas é atribuído um valor de TrustRank. A partir daí, TrustRank transmite-se por links, tal qual PageRank; entretanto, enquanto PR era transferido pela simples existência de um link, o TR fala em ‘páginas que provavelmente são reputáveis’, ou seja, pode ser que não haja transferência de TR.

Quais são as páginas-semente? O paper não os discrimina, mas informa que naquele experimento foram utilizados 7.900 sites (e não páginas). Isso parece (pelo menos para mim) um indicativo de que o TrustRank é atribuído a sites, e não páginas. Isso faz uma enorme diferença: uma vez o site tendo sido identificado como de alto TR, todas as suas páginas assim também o serão; não importa mais o PageRank da página, importa sim o TrustRank do site.

E quais são esses sites escolhidos como semente, para começar a distribuir TrustRank? Quais sites mereceriam a confiança da Google?

Aqui começam as hipóteses e discussões. Um site de Trust provavelmente preza pela relevância das informações que apresenta, bem assim como dos links (que devem ser vistos como informações complementares) que contém. Um site do governo americano, por exemplo, é, a princípio, de alta confiança. Em certa medida, também as Universidades americanas, que sabem perfeitamente que sua imagem será avaliada pela qualidade das páginas do seu site. Por isso, formou-se um consenso de que páginas .gov e .edu são de alto TR (e seus links são mais valiosos).

Quais mais? Em geral, os sites em que é visível a necessidade de publicar conteúdo relevante. Sites de notícias (cnn, bbc), grandes empresas (ford, ibm, apple), grandes instituições (nasa, cruz vermelha, nature), etc. Uma coisa em comum entre sites de alto TR é que é difícil incluir um link nesses sites apenas pela vontade de terceiros; esses sites tomam a iniciativa de encontrar documentos de valor e linkar para eles.

E quais sites não merecem confiança? Acho que há dois tipos.

Primeiro, aqueles em que é possível criar um link, qualquer que seja a qualidade da página que recebe o link. Isso inclui, por exemplo, sites que permitem links anônimos, sites que promovem troca indiscriminada de links, sites que listem outros sites em troca de dinheiro.

Segundo, não merecem confiança os sites que se envolvem com sites do primeiro grupo. Por exemplo, um site que tem cem links, noventa dos quais provenientes de sites de pouco Trust, provavelmente terá também baixo Trust.

Resumo da questão: procure obter links de sites de alto Trust. É melhor obter UM link de harvard.edu, ainda que o PageRank seja PR1, do que obter dez links de diretórios a US$10 cada, ainda que todos tenham PR4.

E como obter esses links de alto trust? Produza uma página que contenha tanta informação que seja tão relevante, que o webmaster do site de alto trust queira linkar para você.

A primeira visita da Google

May 12th, 2007

Um dos trabalhos mais importantes de um SEO é analisar logs.

Os logs dizem não apenas quantas pessoas visitam o site, mas de onde elas vêm, o que procuravam, quantas vezes retornaram, quanto tempo ficaram, por onde entraram no site, por onde saíram, qual o SO, qual a resolução, etc.

Ontem, esse site recebeu a primeira visita de um usuário da Google, após sua ressureição. O site era google.com.br, e a expressão buscada era [world wide web worm 94]. A página desse site http://www.sites-de-busca.com/google/anatomia-google-1.html somente aparece (posição #1) se a pesquisa for restrita a “páginas em Português”.

O site somente foi listado pelo Interney e em algumas páginas da pt.wikipedia. Mesmo com essa pouca divulgação, o site foi visitado 145 vezes pelos bots da Google, 6 vezes pelo bot da Yahoo (que provavelmente apenas leu robots.txt) e nenhuma vez pelos outros bots.

Não pretendo utilizar nenhuma técnica de divulgação (além, é claro, de escrever conteúdo relevante). Será uma experiência interessante acompanhar o progresso do site.

Qual o efeito de rel=nofollow ?

May 11th, 2007

Conformi escrevi nesse artigo, em janeiro de 2005 as três principais Search Engines do mercado, Google, Yahoo e msn se juntaram e criaram o atributo nofollow, que teria o propósito de informar a elas que o link NÃO deveria ser interpretado como um voto, e portanto não deveria trazer nenhum benefício à página para a qual o link apontasse.

Passados mais de dois anos, será que alguma coisa mudou? Pelo menos no caso da Google, eu acho que sim.

O nofollow foi criado quando o conceito de TrustRank estava incipiente (leia mais sobre TrustRank). O TrustRank mede a confiança que a Google tem em determinada página; se o TR (que, diferentemente do PageRank, a Google não informa) for alto, a Google tem tanto a página em si como os links nela contidos em alto conceito; se o TR for baixo, a Google não valoriza a página nem confia nos links nela contidos.

Para mim, isso é quase equivalente a dizer que o nofollow é desnecessário.

Nesse thread do blog do Matt Cutts, de 23 de janeiro de 2007, o Matt comenta sobre o fato de que a Wikipedia (site de altíssimo TrustRank), uma vez mais, resolveu adicionar nofollow a todos os seus links. Após o blá-blá-blá habitual, Matt escreveu: “I don’t expect this change to affect Google’s rankings very much, but it’s good to see the Wikipedia folks paying close attention to link spam”, ou seja “Eu não espero que essa mudança afete muito os rankings da Google, mas é bom ver que o pessoal da Wikipedia está prestando atenção ao link spam”.

Isso faz muito sentido. A Google confia na Wiki (aliás, não apenas confia, como idolatra); prova disso é que a Wiki está na primeira página para várias [buscas]; essa confiança provém do excelente conteúdo da Wiki, dos milhões dos links legítimos que endossam a Wiki, e de sua política de auto-vigilância que suprime links de spam. A adição ou não de nofollow pouco deveria afetar a confiança da Google nos links da Wiki.

Melhor que discutir hipóteses é tentar comprovar a tese.

Peguemos um tema da Wiki em inglês sobre o qual tenhamos algum domínio, e que seja de média competitividade. Uma sugestão é escrever sobre tópicos referentes ao Brasil; isso faz com que nosso conhecimento sobressaia em relação ao contribuinte médio da Wiki, e por isso nossas contribuições (links externos) sejam mais facilmente aceitáveis.

Por exemplo, tomemos um tópico como Clarice Lispector (750.000 páginas). Minha sugestão: escrevam uma página em inglês sobre a escritora com conteúdo de alta qualidade, que esteja dentro dos padrões da Wiki para constar como external link; façam com que esse link da Wiki seja o único link apontando para a página (ou seja, as melhorias de posição da página seriam devidas àquele link da Wiki, com nofollow). Observem a posição da página por alguns meses.

Eu tenho feito algo similar com algumas páginas (NB: sem infringir nenhuma regra da Wiki). Minhas experiências mostram que links da Wiki ainda carregam muito valor.

Um efeito do nofollow é assegurado: colocar ou removar nofollow manualmente mostra à Google, Y e msn que você sabe o que o nofollow faz; isso mostra que você tem alguma idéia do que seja SEO. Eu acho isso uma péssima idéia.

Ainda sobre o Buscapé

May 10th, 2007

Em um post anterior, externei minha opinião de que um modelo de negócios como o do Buscapé (e outros similares que já surgiram na web) está sujeito a instabilidades. E nos dois posts mais recentes (aqui e aqui), tentei explicar por que o tráfego qualificado proveniente de Search Engines está se tornando um dos bens mais valiosos da internet.

Por isso, não me causou nenhuma surpresa ver que o Buscapé comunicou a seus afiliados que não lhes pagaria mais por tráfego enviado através de páginas indexadas nas Search Engines (ver, por exemplo, esse post e esse outro).

O que fez o Buscapé? Usou o trabalho (muitas vezes involuntário) dos webmasters para melhorar suas posiçoes nas SEs, e parou de pagá-los por isso.

Como é isso?

O Buscapé provavelmente sabe que os visitantes provenientes de Search Engines são mais propensos a compras (eles têm, ou deveriam ter, pessoas estudando detalhadamente as estatísticas de comportamento dos usuários). Eles sabem que a maioria dos webmasters desconhece a relação entre sites, links e rankings: bons webmasters criam bons sites, os quais tornam os links poderosos (segundo os critérios das Search Engines), os quais por sua vez têm o poder de alavancar as páginas que recebem os links.

O Buscapé apostou na obscuridade: em vez de criar um modelo de pagamentos mais justo (o que demandaria explicações e convencimentos), resolveu afirmar que a indexação de páginas em SEs contrariava os termos do acordo (como se a indexação fosse algo ruim), e não mais pagaria por cliques provenientes dessas páginas !!

Vejamos um exemplo. A imagem abaixo é um screenshot da primeira página da Google.com.br para a palavra [celulares]. A Google indexou mais de 37.000.000 de páginas sobre celulares, e quando eu fiz a pesquisa havia mais de 20 anunciantes no Adwords.

google celulares

Na posição número 6, que deve conseguir algumas dezenas ou centenas de cliques por mês, aparece esse link:

busca.buscape.com.br/cprocura?lkout=1&site_origem=1199690&produto=celulares - 23k

Isso significa que, a cada vez que alguém procurar por [celulares] na Google e clicar esse link, o webmaster cujo código de afiliação é 1199690 doou involuntariamente um pouco do seu trabalho para o Buscapé.  Esse link somente aparece na primeira página da Google porque algum webmaster criou um bom website e introduziu nele um link para aquela página do Buscapé.

Esse processo se repete para milhares de outras palavras. É fácil imaginar quanto o Buscapé está se beneficiando dessa enorme quantidade de tráfego ‘grátis’.

Importante observar que não há nada de ilegal no que o Buscapé está fazendo. O Buscapé é dono do programa, pode estipular as regras que mais lhe convenham. Cabe aos webmasters decidirem se aceitam ou não as regras.

Tráfego Qualificado

May 8th, 2007

O objetivo de (quase) todos os sites é conseguir tráfego.

Muito melhor que conseguir tráfego, entretanto, é conseguir tráfego qualificado; a expressão largamente utilizada em inglês é targeted traffic.

O tráfego qualificado é aquele que procura o que você está oferecendo. Com isso, as chances de que o visitante venha a gostar do seu site, colocá-lo nos Favoritos, divulgar o site (inclusive colocando links, se ele puder), e eventualmente comprar algo que você ou seus anunciantes vendam é muito maior.

Suponhamos um site sobre, por exemplo, uma pousada em Maceió; o dono da pousada, provavelmente, está interessado em utilizar o site para atrair potenciais hóspedes.

O dono poderia colocar um anúncio por um mês na primeira página da UOL, utilizando um banner em Flash com belas praias e uma mensagem “Conheça o Paraíso” (Maceió é de fato uma boa candidata a paraíso na Terra). Dos milhões de usuários que acessam o UOL mensalmente, é provável que alguns milhares cliquem o link.

O site teria milhares de visitantes, mas a taxa de conversão (ou seja, o número de visitantes que efetivamente fecham um negócio - no caso, uma reserva no hotel) seria muito baixa. Por quê? Porque a maioria dos visitantes seria de usuários do UOL que estivessem acessando a homepage UOL para tratar de outros assuntos (ler emails, revistas, etc) e foram ocasionalmente atraídos por um banner chamativo.

Como poderíamos qualificar um pouco mais o tráfego? Poderíamos, por exemplo, colocar o banner não na homepage, mas na seção de Turismo do UOL; assim, saberíamos que os potenciais visitantes estariam de alguma forma interessados em turismo. Mais: poderíamos colocar o banner na página sobre Turismo em Maceió da UOL; além disso, o banner poderia informar claramente “Pousada em Maceió”.

Certamente, o número de visitantes seria menor, mas o tráfego seria muito mais qualificado: seriam pessoas que estivessem lendo sobre Maceió, e clicariam para um site sobre pousadas em Maceió. A probabilidade de conversão seria muito maior.

Entretanto, a divulgação em sites como UOL, Terra, Globo, etc é restrita a poucos, em razão do custo. Existe alguma outra maneira de se obter tráfego qualificado a baixo custo?

O tráfego de Search Engines é altamente qualificado. O usuário já informou à SE o que ele está procurando. O usuário já refinou os resultados da SE ao ler os links da página de respostas e escolhendo o que mais lhe agrada.

Para o dono da nossa pousada, ter o site na primeira página da Google, Yahoo e msn para “pousada em Maceió” é, na minha opinião, a melhor forma de divulgação.

A importância de bons rankings vai crescer

May 7th, 2007

Nessa página, de 2004, já chamava atenção para a importância das Search Engines.

De lá para cá (e de agora para o futuro), a importância das SEs (e dos SEOs) fez aumentar ou diminuir?

Eu não tenho dúvidas de que essa importância aumentou, e continuará aumentando, gradual mas continuamente.

Explico.

É certo que o número de usuários (potenciais clientes de sites  comerciais) aumenta diariamente; por outro lado, a concorrência (número de sites ou páginas que concorrem pelas mesmas palavras nas SEs) também aumenta diariamente.

Um fator, entretanto, muda muito pouco:  os sites listados na primeira página de respostas concentram uns 80% das visitas. Isso quer dizer que um site, para ter máxima visibilidade, deve estar entre os dez melhores (esse é um valor absoluto, não relativo) para uma dada palavra de busca.

Explicando com números: suponhamos que hoje, para uma [palavra de busca], um site seja o 5º melhor, contra 1.000 concorrentes (o site está na primeira página, e terá visibilidade para a [palavra de busca]). Suponhamos que, daqui a dois anos, o site seja o 15º, mas contra 10.000 concorrentes.

O site melhorou sua posição relativa, pois enquanto o número de concorrentes aumentou 10 vezes (de 1.000 para 10.000), sua posição nos rankings caiu apenas 3 vezes (de 5º para 15º).

O dono do site deve, então, ficar satisfeito? Não. O site caiu para a 2ª página. Poucos usuários visitam a 2ª página. Os potenciais clientes, provavelmente, comprarão dos outros 10 sites que continuam na primeira página. 

É por isso que a importância de bons rankings (e, conseqüentemente, de bons SEOs) vai continuar crescendo.

O modelo de negócios do Buscapé

May 4th, 2007

Com algum atraso, gostaria de fazer alguns comentários sobre o programa de afiliados do Buscapé.

Tomei conhecimento da popularidade do programa há algumas semanas, quando vi alguns posts em outros blogs, como aqui e aqui. Esses posts criticam o buscapé, acusando-o de mudanças bruscas e unilaterais no programa de afiliados.

O programa é muito simples: uma vez tendo o site aprovado, o afiliado coloca links para páginas de comparação de preços do Buscapé, tendo como palavra-chave um produto ou serviço. Os links são colocados em locais proeminentes, e são em geral acompanhados de chamadas como “Compare Preços de”. A cada vez que um usuário clica para o Buscapé e, chegando lá, clica em pelo menos mais um link, o afiliado é creditado com um valor fixo de R$ 0.13 (ou próximo disso).

Na minha opinião, esse programa, e todos os outros semelhantes, estão fadados a, na melhor das hipóteses, passarem por “mudanças bruscas e unilaterais”.

Os cliques na internet NÃO TÊM o mesmo valor. Um modelo de negócios que se propõe a pagar o mesmo valor por qualquer clique não tem como prosperar. Ou ele está pagando mais do que o clique vale (e corre o risco de falir), ou está pagando menos (e cedo ou tarde será superado por um concorrente que pague um valor mais realista).

Por exemplo, examinemos duas lojas eletrônicas. Uma vende livros por R$30, com margem de lucro de R$ 10; se ela precisar de 100 visitantes para fechar uma compra, ela pagará R$ 13 ao afiliado (sem falar da comissão do próprio Buscapé), e portanto terá prejuízo. Uma outra loja vende TVs de plasma por R$ 5.000, com margem de lucro de R$ 1.000; mesmo que ela feche uma venda a cada 100 visitantes, a comissão paga (R$ 13 do afiliado mais a parte do Buscapé) será muito pequena, comparada ao lucro da transação.

É por isso que o Adsense não informa quanto pagou ou pagará por clique; isso depende de quanto lucro os seus cliques gerarão para o anunciante. É por isso também que os publishers do Adsense estão sujeitos ao famoso smart pricing: de tempos em tempos, o algoritmo verifica a produtividade dos cliques, e ajusta um “fator de correção de pagamentos”.

Conclusão: se você usa o Buscapé e seu site é meio para vender livros e outros produtos de baixo valor, esteja preparado para ser comunicado sobre “alterações no programa”; se seu site fala sobre tecnologia e outros produtos de alto valor, procure um programa que pague na base de comissão sobre vendas.