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A Google contra-ataca

Por volta de outubro de 2003, o quadro na indústria de SEO era o seguinte: para melhorar o ranking de meu site sobre venda de canetas, eu vou àquele site que fala de borboletas africanas, com várias páginas com PR7, e compro alguns links por algumas centenas ou milhares de dólares. Após alguns dias, meu site vai para a primeira página da Google. O comprador de links está feliz, o vendedor está feliz, e tudo segue adiante.
A Google, porém, não estava satisfeita. E demonstrou isso em novembro de 2003: na sua (então mensal) atualização do índice, grandes mudanças aconteceram; ficou evidente que a Google havia feito uma enorme mudança no algoritmo; diversas teorias conspiratórias surgiram (a mais citada: a Google havia rebaixado o ranking de vários sites comerciais às vésperas do Natal, no intuito de que eles passassem a pagar por AdWords). Leia uma das mais longas threads de Webmasterworld.com: the Florida Update.

O que a Google fez?

É evidente que houve bruscas alterações no algoritmo.
Em primeiro lugar, reconhecendo que PageRank agora podia ser comprado, a Google retirou muito do seu peso. Sites com PR6 e PR7 que ocupavam o topo do ranking perderam seus lugares para sites com PR5, 4 e 3; além disso, se antes havia grande semelhança entre resultados nas SERPs e resultados em allinanchor: , agora, passou a haver muitas discrepâncias. (Nota: as opiniões sobre a importância atual do PageRank variam muito; alguns dizem que "PR não vale mais nada", enquanto no outro oposto se diz que "PR é tão importante quanto antes"; a maioria das opiniões, entretanto, é no sentido de que houve diminuição no peso do PageRank, mas ele continua sendo o mais importante dos critérios de rankeamento.)
Várias outras alterações podem ter sido efetuadas; algumas de pequena monta, como, por exemplo mudanças no peso dado a cabeçalhos (h1, h2, etc), uso de fontes em negrito ou itálicas, etc.
Outras alterações, entretanto, podem ter sido mais radicais. Tornaram-se mais consistentes os rumores de que a Google introduziu o algoritmo Hilltop; outros webmasters viram evidências nas SERPs de que a Google estaria fazendo uso mais extensivo de análise de semântica para melhor classificar as páginas.
Evidentemente, a Google não se manifestou sobre o assunto.

Além de alterar o algoritmo, a Google restringiu a quantidade de informações passadas aos webmasters.
O PageRank gráfico, ou TBPR - Toolbar PageRank (exibido por meio da Google Toolbar passou a ser atualizado com muito menos freqüência. Em lugar das tradicionais atualizações mensais, a Google passou a fazer atualizações cada vez mais espaçadas; houve uma atualização geral em julho de 2004, e a seguinte veio apenas em outubro de 2004.
Vários webmasters reportaram que o valor do TBPR apresentado era errático. Por exemplo, páginas com PR7 passaram a PR4 ou 5, mesmo tendo havendo aumento no número de backlinks. Com isso, aumentou o número de casos em que sites de menor PR batiam sites de alto PR, mesmo para termos muitos competitivos.
Alguns sites perderam a capacidade de repassar PageRank. Sites de alto PR que vendiam "espaço publicitário" de repente não transmitiam mais PageRank; se anteriormente um link nessas páginas garantia alto PR, agora pouco ou nenhum efeito era notado, nem no valor do TBPR, nem no posicionamento nos rankings.
A Google passou a mascarar os backlinks de cada página. Uma pesquisa com o comando link:URI costumava retornar os links mais relevantes para a página, o que facilitava o trabalho de webmasters que estavam em busca de links; após a mudança (e até hoje), o comando parece retornar um sub-conjunto aleatório de backlinks. Além disso, tal qual ocorreu com o TBPR, as atualizações dos backlinks tornaram-se menos freqüentes.
Todas essas alterações tiveram o mesmo objetivo: dificultar a ação daqueles que procuram encontrar links a fim de melhorar o PageRank. Antes das alterações, era fácil encontrar as páginas de alto PR, descobrir quais links apontavam para elas, e tentar obter os mesmos links. Após essas alterações, o valor do PR exibido não é confiável, e a relação de links é aleatória; é muito mais difícil descobrir onde tentar obter um link.

Resultado: hoje, é muito mais difícil conseguir os links necessários para levar uma página ao topo do ranking.

Novo (Janeiro/2005): Google combate abuso de blogs